Quando
os jazigos do Egito
começaram
a esgotar-se, as esmeraldas
eram difíceis de conseguir e os mercadores fenícios
e armênios
procuravam-nas entre as tribos selvagens que povoavam o
norte de Pont-Euxin
(mar negro).
Julgava-se que essas tribos possuíam um grande poder
mágico por estar em comunicação com
os espíritos e que só elas poderiam, por isso,
obter as esmeraldas
que se formavam nas grutas de ouro
habitadas pelos
Grifos,
guardas zelosos desta gema.As
viagens até aquelas paragens eram difíceis
e perigosas, e por isso a esmeralda
era uma pedra raríssima e quase inacessível
à antiguidade. Era considerada a terceira
gema pelo seu
valor: diamantes,
pérolas
e esmeraldas.
Nenhuma outra pedra possuía cor tão admirável.
A cor da esmeralda descansa a vista e o gravador que a trabalha
executava a tarefa com prazer e sem fadiga.
Durante o período da civilização mediterrânea,
Nero
possuía uma esmeralda
do tamanho de um ovo
de pomba. Que
usava como monóculo. Outro imperador romano,
Adriano (Século
II), teve também uma grande predileção
pelas esmeraldas
e possuía delas uma coleção muito completa;
em duas delas fez gravar a sua imagem e a sua esposa Sabina.
Não menos celebre foi o bridão que Honório,
imperador do Ocidente, mandou fazer para o seu cavalo favorito,
e que estava completamente ornado de esmeraldas.
Os romanos adornavam-se também, por essa época,
com colares de esmeraldas
e pérolas,
ou com pedras verdes,
e consideravam isso como um talismã,
visto admitirem que a cor verde conjurava a tristeza e transformava
as dores em felicidade e alegria.
Quando se realizaram os grandes descobrimentos da América
Central e do Sul, as esmeraldas
que os descobridores trouxeram para a Europa encontraram
um ambiente mais que propício porque era uma pedra
mais que preciosa que se destacava enormemente entre os
tesouros e as gemas subtraídas aos povos daquelas
regiões.
No Peru
uma grande montanha de esmeraldas assombrou os espanhóis
que não podiam acreditar que "aqueles
verdes cristais",
em tão grande quantidade, pudessem ter qualquer valor,
nem que se tratava, na realidade, de esmeraldas
belíssimas.
Para convencer-se disso, começaram a bater-lhes com
um martelo para verificar a sua dureza, e desta forma despedaçaram
um grande número de peças únicas, que
os soldados venderam depois por preços irrisórios.
Muitas lendas se formaram ao redor das pedras preciosas
"conquistadas" no Novo Mundo, e é de crer
que nem todas sejam frutos de ficção, visto
que o roubo, o assassínio e a tortura, eram os meios
que então se empregavam para se conseguir dos indígenas
os ouros,
as perolas e
as gemas.
Os antigos habitantes do vale no Peru adoravam uma deusa
"Esmeralda"
sob a forma de uma grande gema do tamanho de um ovo
de avestruz.
Em dias determinados, esta esmeralda
era exibida ao povo que, para ser agradável à
deusa, lhes trazia as suas "filhas
pequenas",
isto é, outras esmeraldas
que procuravam ou compravam. Foi deste modo que os sacerdotes
pagãos puderam reunir uma quantidade considerável
daquelas pedras preciosas.
Muitos lagos das terras povoadas pelos maias
e pelos astecas
eram objeto de veneração, pois, se acreditava
que no fundo destes lagos habitavam as divindades. Todos
os anos se celebravam sacrifícios nas suas margens
durante os quais se lançavam à água
muitas pedras preciosas,
principalmente esmeraldas
e ouro.
Os relatos dizem que são inúmeros os tesouros
que dormem no fundo dos lagos Titicaca
e Guatavita.
As esmeraldas Sul
Americanas vêm
da região de Muso, na Colômbia, e com exceção
de alguns jazigos no Brasil, não se conhece na América
do Sul outra fonte destas belas pedras.
No Museu de Paris pode se admirar uma magnífica coleção
de esmeraldas Colombianas,
prismas de um verde suave do tamanho de um polegar, dentro
de sua ganga calcária branca. Se Tivermos em consideração
a importância das esmeraldas
encontradas nas épocas que se seguiram imediatamente
o ano de 1942 é de crer que os indígenas conhecessem
outros jazigos destas pedras
verdes.

Foi uma outra esmeralda
extraordinária que se gravou, segundo uma lenda da
Idade Média, o Santo
Graal, o cálice
sagrado que Jesus
empregou na Santa
Ceia e no qual
José de
Arimatéia
recolheu o sangue revertido pelo Redentor.
Essa lenda diz que esta gema havia brilhado na coroa do
Arcanjo Rebelde
de onde caiu na luta contra o Arcanjo
São Miguel.
Passando de mão em mão essa esmeralda
chegou à Rainha
de Sabá que
a ofereceu a Salomão.
Nicodemo
herdou-a mais tarde e José
de Arimatéia recebeu-a
depois. Em 1100 chegou a Genebra um cálice com a
forma que se atribuí ao Santo
Graal; esse cálice
passou em Paris, em 1806, mas não estava esculpido
em uma esmeralda
e era apenas um cristal
de cor verde.
Outra esmeralda
preciosa de cor perfeita, era a que adornava a tiara do
Papa Júlio
II; depois de
ter permanecido uns 300 anos em Paris, foi restituída
por Napoleão ao Papa Pio VII.
Atribuem à esmeralda
qualidades extraordinárias e virtudes misteriosas
e julga-se que apura o gênio e a inteligência
e que favorece a riqueza; quando colocada por baixo da língua
concede o dom da profecia.