Cremar
o corpo de parentes falecidos é costume muito comum na
Índia, onde a cerimônia é feita em local
público e onde as crianças são incentivadas
a assisti-las desde pequenas, para habituar-se com a idéia
de que o corpo físico é mero envoltório
de um corpo espiritual.
Nos Estados Unidos, o costume não é tão
bem aceito, mas 43% das pessoas julgam apropriado cremar
o corpo e espalhar as cinzas ao vento, no mar ou então
mantê-las em casa.
No Brasil a cremação
é algo ainda novo. O primeiro forno crematório
de Porto Alegre, por exemplo, foi inaugurado há poucos
anos.
Lembramos disso porque está começando um novo,
inusitado e polêmico capítulo na história
da síntese de pedras preciosas.
É que alguns agentes funerários dos Estados Unidos
estão oferecendo a opção de cremar
o corpo e usar suas cinzas para... fazer diamantes
!
A patente do processo foi requerida pela LifeGem
Memorials, pequena empresa de Chicago, que fornece o
diamante acompanhado de
certificado emitido pelo European
Gemological Laboratory, de Nova Iorque.
Um diamante de 25 pontos
custa quatro mil dólares; o de um quilate chega a 22
mil dólares.
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A idéia de usar cinzas humanas
no processo foi de Rusty
VandenBiesen, Presidente da General
Eletric, não por acaso a primeira empresa
do mundo a produzir diamante sintético. Alguns
anos atrás, ele começou a pensar no que
gostaria que fosse feito com seu corpo quando morresse.
Ele não queria que ficasse em um cemitério,
mas tampouco numa caixa, sobre um móvel da família.
Lembrando que o corpo humano é rico em carbono,
elemento químico de que é feito o diamante,
pensou na possibilidade de transformar as cinzas nessa
gema. Após
três anos de tentativas, trabalhando num laboratório
de Munique (Alemanha),
atingiu seu objetivo em abril de 2003.
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É essencial no processo
o controle dos níveis de oxigênio, para impedir
que o carbono se perca na forma de dióxido de carbono.
Para tanto, a incineração é interrompida
em determinado momento e o carbono recolhidos na forma de um
pó preto. A transformação desse pó
em diamante exige altas
pressões e altas temperaturas, e demora dois meses.
As cinzas de um adulto são suficientes para produzir
de cinqüenta a cem diamantes,
dependendo do tamanho desejado.
Para muitas pessoas ver as cinzas de um ente querido transformadas
em uma pedra, por mais
valiosa que seja, pode parecer algo macabro ou, no mínimo
muito esquisito. Para quem trabalha com gemas,
a idéia talvez seja bem mais aceitável. Afinal,
entre ver os restos da pessoa amada como simples cinza ou na
forma de uma gema valiosa, há uma enorme diferença.
A diferença é também grande em termos de
custo. O velório de uma pessoa que é sepultada
sai bem mais barato do que aquele de quem é velado e
depois cremado (pelo menos
do modo como a cremação
é feita no Brasil). Se à cremação
se somar a síntese do diamante,
a diferença aumenta em alguns milhares de dólares
no mínimo.