| Cresce
o número de consumidores em todo o mundo de
produtos de alto luxo. Na mesma medida, crescem os
setores da economia, como a indústria têxtil,
cosmética,
perfumaria, bebidas,
hotelaria e tantos
outros que atendem “o
mercado do luxo”, como a joalheria.
O Brasil também entra na onda, estando entre
os dez maiores mercados do mundo. Na América
só perde para os EUA. O crescimento desse mercado,
que movimenta US$ 1,5 bilhão ao ano, baseia-se
na motivação de “realizar
sonhos e investir numa sofisticada imagem pessoal”.
O Brasil, para quem olha
à primeira vista, não parece o país
ideal para a venda de jóias,
mas, ao se olhar com mais atenção, percebe-se
que além de existirem pessoas de alto poder
aquisitivo com potencial de consumo é enorme,
apesar de se restringir a apenas de 0,17% a 0,28%
da população brasileira, o brasileiro
tem o perfil perfeito para esse tipo de compra: adquire
produtos por impulso e se deixa levar pela emoção.
Não é à toa que o País
apresentou crescimento de 35% nos últimos cinco
anos dentro deste mercado. As vendas da Cartier cresceram
49% no ultimo ano. São Paulo é a única
cidade do mundo a ter quatro butiques da Montblanc.
Das 320 lojas mundiais da Louis Vuitton, a do shopping
Iguatemi, em São Paulo, está na terceira
posição entre as mais rentáveis
por metro quadrado. No ano passado, no eixo Rio -
São Paulo, destacaram-se grifes como Tiffany
e Fendi.
Não importa como vai a economia do país,
parece que as vendas só aumentam. Soa quase
irreal mas são exemplos que comprovam a ascensão
do mercado no País.
Porém, o consumidor no Brasil está
cada vez mais exigente e a compra do produto em si
já não basta. Um “algo
mais” é a alma do negócio. Ninguém
compra uma Montblanc
para escrever, um celular Vertu
para falar, um óculos Vuitton
para se proteger do sol ou um relógio Van
Cleef apenas para ver as horas. As pessoas
já não compram jóias
por seus preços altos e inacessíveis
mas pelos outros valores que o produto carrega consigo:
tradição,
funcionalidade,
qualidade, status,
moda e design.
Enfim, o que ontem era visto como direito de “berço”
(linhagem, tradição, nobreza, aristocracia),
hoje é considerado “conquista”
(liderança, realização). Hoje
uma jóia pode ser adquirida por qualquer mortal,
se seu símbolo representa ascensão pessoal,
validação, apresentação
pessoal, ou seja, o luxo integra um grupo de pessoas
que venceram na vida através de suas conquistas
profissionais.
Trata-se de um fenômeno muito interessante a
descoberta deste nicho espetacular. Então,
diante disto tudo, o que poderia faltar à indústria
joalheira? No Brasil, certamente o desenvolvimento
de estratégias de marketing específicas,
desse setor tão exclusivo. As estratégias
para seduzir estes clientes são diferentes
das usadas durante muito tempo na administração
para o consumo de massa. E é isso que começaremos
a discutir a partir do próximo mês. Até
lá!
Fontes: Allérès,
Barth, D´Angelo, Douglas, Isherwood, Kotler,
Mccracken, Richers, Rocha, Veblen.
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