Paulistana, cursou Jornalismo na Puc e se especializou em marketing na ESPM. Atuou como gerente de produtos por quinze anos, com foco nos segmentos de alimentos e têxteis. Trabalhou com desenvolvimento de produtos para marcas como Liz Claiborne, J.Crew, The Gap e Banana Republic.
Há cinco anos vem atuando como consultora de marketing independente, em projetos de consultoria para marcas, estudos e pesquisas de mercado. Apaixonada por moda e artesanato, começou a criar acessórios em 2005, como hobby. Hoje está à frente da marca Sinhazinha, que produz bolsas, bijuterias e acessórios.

Começo este mês minha contribuição com a coluna de marketing do Portal das Jóias. Missão esta que me enche de orgulho, mas também de expectativas. Revendo o excelente trabalho desenvolvido por Kátia Faggiani nos últimos quatro anos, espero que meu estilo – embora diferente – atenda à demanda das leitoras do portal.

Após ler os artigos que Kátia preparou nos últimos quatro anos, pensei em começar falando sobre o futuro. Um olhar demorado sobre o horizonte do marketing e a tentativa de traduzir suas tendências, predizer os anseios do mercado consumidor, procurar antever o que virá – e o que virá terá um ritmo cada vez mais dinâmico – para que todos possamos estar preparados com soluções e ferramentas eficazes e competitivas.

Faith Popcorn, especialista em marketing e proprietária da empresa de consultoria Brain Reserve, ministra palestras e assessora empresas mundo afora, além de ter publicado alguns livros sobre o assunto (entre eles O Relatório Popcorn, Editora Elsevier, 1993; Click, Editora Elsevier, 1996, e o Dicionário do Futuro, Editora Campus, 2002). Conhecida como a Nostradamus das empresas, a consultora identificou diversas vertentes de comportamento e/ou expectativas. Profissionais de todo o mundo e instituições precavidas tiram proveito destas tendências para aperfeiçoar seus produtos e serviços.

A globalização tornou-se uma realidade, a Internet revolucionou o planeta, o comportamento das pessoas mudou. Inovações tecnológicas eclodem a cada instante, tudo muda cada vez mais rápido. Mas como estas mudanças afetam nosso mercado? Como podemos não apenas nos defender, mas mesmo tirar proveito das mudanças, de maneira a conquistarmos consumidores mais fiéis e satisfeitos, dispostos a consumir?

O consumidor do futuro já experimentou o choque dos avanços tecnológicos e já viveu a era do hiper-consumo, da valorização do individual e do ego. Ele começa a se perceber como uma pequena peça de uma grande engrenagem, como parte de uma rede ao alcance do mouse. O enorme fluxo de informações em tempo real faz com este consumidor seja cada vez mais consciente a respeito do futuro do planeta, e preocupações com a ecologia e questões humanistas passam a ganhar importância.

Este consumidor consciente tenderá a preferir marcas que invistam no social, no politicamente correto, no ecologicamente sustentável. Em um universo onde a distribuição de renda tende a ser cada vez mais heterogênea, os consumidores tentarão se isentar da culpa de comprar produtos de luxo se puderem optar por uma empresa que faz – e divulga que faz – algo no plano social, humanitário ou ambiental.

A modelo e apresentadora Ana Hickmann lançou, em 2006, uma linha de jóias ecologicamente correta. As peças misturam ouro 18k e madeira certificada. A Denoir é a empresa responsável pela produção e comercialização das peças.

O “selo verde” foi conferido pela FSC – Forest Stewardship Council, entidade que credencia produtores que apresentam um manejo florestal auto-sustentável e correto.

A tecnologia passou a permitir que experimentássemos diferentes personalidades, protegidos do mundo pela tela do monitor. Ou mesmo que fosse possível expressar virtualmente o que seria mais difícil no mundo real. Este sentimento de liberdade faz com que os consumidores passem a rejeitar papéis estabelecidos e moldes psicológicos rigorosos. Para que ser fiel a um estilo se é permitido ter todos? A diferenciação entre os sexos masculino/feminino passa a ser cada vez menor, e preconceitos vão dando lugar à valorização de habilidades, qualidades e atitude. Na moda e nos acessórios, isto significa que pessoas poderão se produzir de diferentes maneiras, com liberdade e de acordo com o papel que pretendem desempenhar naquele momento.

As marcas se tornarão mais fluídas e adaptáveis. Os consumidores serão cada vez menos fiéis e mais caprichosos. Dada a crescente oferta de produtos e serviços, qualquer coisa que lhe desagrade o fará partir. Fornecedores de produtos e serviços passarão a atuar cada vez mais como facilitadores de soluções imediatas para seus clientes. Terão de estar no lugar certo, com o produto certo, para o consumidor certo.

Aparelho Celular Motorola MOTORAZR V3i Dolce&Gabbana

Ao invés de se manterem presas a uma única categoria , as marcas passarão a investir cada vez mais em uma atmosfera própria, uma identidade que desperte algo no consumidor, uma atitude que seja desejável ao cliente naquele instante. Empresas outrora identificáveis por um certo tipo de produto passarão a oferecer todo um universo de consumo, reunindo produtos e serviços, sob a mesma assinatura ou grife. A publicidade passa a ser cada vez menos vendedora de produtos, na medida em que apenas busca reforçar esta atmosfera que identifica e diferencia o universo de determinada marca. Um trabalho complexo, sem dúvida, mas pleno de possibilidades.


Hermes – Primavera/Verão 2006



Dior – Primavera/Verão 2006

Um consumidor antenado saberá identificar uma determinada marca sem a necessidade de logotipos, apenas pela exposição anterior a toda um marketing de estilos e atitudes:

E decidirá – sempre muito rapidamente – se naquele momento deseja mesmo ser aquela personagem, consumidora daquela atitude.

Fontes: Brain Reserve, Hermès, Dior, Denoir, Motorola

Fale com Cozete: sinhazinha@sinhazinha.t5.com.br

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