O hábito de perfurar a orelha
Por Kátia Faggiani - Designer de Jóias

E-mail: katia@katiafaggiani.com.br

Neste mês me fizeram a pergunta "como começou o hábito de perfurar a orelha?" Muitas são as questões levantadas a este respeito: o que leva uma pessoa a "perfurar" o próprio corpo? Que emoções suscitam os brincos? E quais as suas verdadeiras origens? Vamos neste mês matar esta curiosidade de tantas pessoas falando um pouco sobre este assunto.

O hábito de perfurar a orelha tem origens remotas e muitas vezes um significado religioso. Sempre foi identificado como símbolo de poder, coragem ou realeza. A sua popularidade aumentou com a ajuda dos mais famosos estilistas das últimas décadas. Existem registros históricos que comprovam que essa pratica é feita há mais de 5 mil anos. O brinco sempre foi usado como uma expressão pessoal, ritual e espiritual. O brinco é seguramente o "piercing" mais comum na história.

Tudo começou com as primeiras tribos e clãs das mais antigas raças humanas que habitaram o planeta. A prática de perfurar a pele e inserir um pedaço de metal, osso, concha ou marfim como ornamento existe há milênios, e desde sempre abrangeu tanto homens como mulheres e crianças.
Tudo indica que foram as tribos que viviam nas selvas na América do Sul, África e Indonésia. Entre as tribos sul americanas e africanas, quanto maiores eram os furos, mais elevado era o status social.

Antigamente distinguiam uma pessoa rica de uma pobre. As castas religiosas da Índia e os Faraós do Egito deixaram também muitos vestígios históricos da utilização de brincos, bem como os soldados romanos. Posteriormente, este hábito espalhou-se pela classe média e pela aristocracia dos séculos XVIII e XIX. Os marinheiros colocavam-nos porque acreditavam que estes lhes facultavam melhor visão, enquanto os romanos associavam o brinco na orelha à riqueza e à luxúria.

Hoje, pode ser motivada de uma necessidade de afirmação pessoal, por questões de índole cultural ou por pura rebeldia. Na sociedade moderna, mais permissiva e tolerante, essa atitude tem uma aceitação diferente da que tinha há 10 anos, embora qualquer exagero ainda seja visto com relutância, já faz parte da nossa cultura perfurar as orelhas desde a infância.

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