| Conforme Bourdieu,
as mercadorias, encaradas sob o aspecto simbólico,
são elementos formadores e determinantes do estilo
de vida e revelam que mesmo as trocas econômicas
são trocas simbólicas, onde "o
gosto classifica, e classifica o classificador".
Neste sentido, Baudrillard
fala-nos da mercadoria-signo,
onde o consumo não deve ser considerado primordialmente
como um consumo de valores, mas um consumo de signos.
Leiss argumenta que
os bens são duplamente simbólicos nas sociedades
ocidentais contemporâneas. O simbolismo
é empregado conscientemente na elaboração
e no imaginário e os consumidores recorrem a associações
simbólicas,
quando usam os bens para construir um estilo de vida.
Conforme Featherstone,
a expressão "estilo
de vida", sob o enfoque da cultura de consumo,
contempla a individualidade, a auto-expressão e
uma consciência de si estilizada, valores disseminados,
em especial, entre as camadas médias urbanas e
que se proliferam também no campo da sociedade
contemporânea.
O conjunto de bens utilizados por um determinado grupo
social pode ser caracterizado como sua cultura
material. O papel dos bens e adornos como elementos
dessa cultura material vai além do cumprimento
de requisitos funcionais e técnicos, pois envolve
componentes simbólicos, psicológicos e afetivos.
O significado, assim, reside em primeiro lugar no mundo
culturalmente constituído. Para tornar-se inerente
aos bens de consumo, precisa desengajar-se do mundo e
transferir-se para o bem.
Uma das instituições que pode ser usada
como instrumento desta transferência de simbolismo
às jóias
é o design,
que tal como as artes,
o artesanato e outras
que visam dar existência concreta e autônoma
a idéias subjetivas, age na instância da
atribuição de significados aos artefatos,
uma vez que seu trabalho está ligado às
fases de concepção,
produção
e distribuição.
Ao projetar, o designer pode atribuir significados aos
adornos que vão muito além da funcionalidade.
O significado do artefato para o usuário não
se reduz ao seu funcionamento e seria mais adequado falar
de 'funções'
do objeto do que de 'função',
principalmente no que diz respeito à sua inserção
em um sistema de produção, circulação
e consumo de mercadorias. Evidentemente, entram em consideração
uma série de outras 'funções',
dentre as quais podemos destacar o contexto de uso, a
comodidade, o conforto, o gosto, o prazer, a inserção
social e a distinção (Denis, 1998, p. 31).
A jóia carrega,
também, concepções e valores resultantes
da leitura do designer sobre a cultura e a sociedade a
que pertence. Alguns tipos de mensagens transmitidas pelos
adornos, podem variar entre sua própria constituição;
funções práticas; modos de uso; valores
estéticos; significados enquanto signos de uma
gramática visual culturalmente estabelecida; significados
ideológicos.
Carregados de potencial
e efeitos semióticos,
as jóias
têm uma significação que vai além
de seu caráter utilitário e de seu valor
comercial. Esta significação consiste largamente
em sua habilidade em carregar e em comunicar significado
cultural. Este significado é incorporado com a
ajuda de designers,
então, abuse disso!
Em resumo, a cultura constitui o mundo suprindo-o com
significado. E é desta forma que surgem as novas
tendências de moda. Portanto, mais um ano, novas
tendências...
Bom Natal, ótimo
Ano Novo e novas idéias!!!
Fonte:
Parte de pesquisa em desenvolvimento no mestrado em Design
na PUC-RJ.
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