Destaque do Mês

"L'amorim"
joalheiro designer

E-mail: lamorimdgn@hotmail.com

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Portal das Jóias: L'amorim, qual é a sua formação Profissional?
L'amorim: Aprendi observando e fazendo experiências e, neste tempo, fiz alguns cursos entre eles o de “formação básica e aprimoramento em design e noções em joalheria”, Designer de interiores (incompleto) e outros.

Portal das Jóias: Quem é a pessoa L'amorim e como você deu início à sua carreira de designer e joalheiro?
L'amorim: Sou uma pessoa calma que gosta de ouvir o silêncio, tenho hábitos simples, e sou detalhista e persistente. Apreciador de harmonia e observador de fragmentos e movimentos com muita vontade de viver e aprender.
Iniciei meu envolvimento com jóias criando peças naturais ou desenhando para atender a amigos ou ourives que tinham alguma dificuldade em criar, mas não era minha atividade principal. Hoje é à base de minha existência.





Portal das Jóias: Como é o processo de elaboração e criação de suas peças e coleções?
L'amorim: Para atender um cliente, é necessário uma conversa onde sou o ouvinte de um desejo e vou expressar a minha compreensão do narrado.
No caso de uma peça ou coleção, escolho um tema ou personagem, pesquiso em livros ou na NET, também faço busca de dados observando e depois sintetizo em um projeto que possa traduzir a idéia no todo ou em um fragmento, ou encontro uma matéria que corresponda a um determinado universo, por exemplo as fibras, e nelas observo o princípio vegetal, o desenvolvimento, a transformação e a utilização em uma sociedade (indígena ou cabocla) onde inexistem soldas e rebites. Neste ver, nasce a idéia de gerar algo que traduza os valores para a sociedade que vê e mostre os valores da sociedade que produz.
Para desenvolver uma peça ou coleção tenho de conhecer, pois somente o conhecimento faz nascer a compreensão e, quando ocorre a fusão do conhecer e compreender, passo amar o que vou fazer , estando pronto para criar, e este processo pode levar muito tempo como o desenvolver de um ser ou rápido como uma luz. Cada um tem sua forma de ser gerado.

Portal das Jóias: Qual é o seu estilo de trabalho e para que consumidor você cria?
L'amorim: Devido a minha identificação com a natureza me envolvo com etnias e moradores de ambientes naturais que se reflete em meu estilo que, geralmente, é mais procurado por pessoas que têm ligações com a arte ou que buscam jóias com uma personalidade diferenciada ou que traduzam uma mensagem.



Portal das Jóias: Qual é a matéria prima que você mais aprecia e por quê?
L'amorim: Uma jóia pode ser de barro, madeira ou semente; ouro, platina e brilhantes, ter uma bela corrente de ouro ou um fio de fibra. É uma jóia, e seu valor sentimental poderá ser maior que qualquer valor financeiro.
Trabalho com matériais variadas e pretendo adicionar outras rompendo as barreiras das fronteiras culturais e, se possível, criar uma plena harmonia nos elemento.
Seria maravilhoso poder montar uma peça com água e fogo. Valorizar uma matéria é como limitar o homem apenas a um idioma, um credo, única cultura e exterminar ou denegrir as demais. É como tirar do corpo a versatilidade dos tecidos adequada a cada órgão.
Por isso, não tenho preferência, todas os materiais têm seu valor e sua função; são os idiomas da arte, onde cada um em sua forma traduz o amor e a criação do artista. São como as letras diferentes que formam palavras diferentes que compõem belos poemas.





Portal das Jóias: Fale um pouco sobre metais preciosos e gemas brasileiras como também sobre os materiais alternativos utilizados em suas peças; e que tipo de criação sua mais atrai seu cliente?
L'amorim: De modo geral procuro mostrar a cultura, a flora e fauna brasileira da região onde vivo (a Amazônia), grafismos de etnias e objetos de uso em atividades diárias da vida cabocla.
Em cada coleção ou peça utilizo material vegetal e gemas existentes na região ou citadas em lendas, buscando harmonizar este encontro que gera um ponto central em forma de jóia única, uma peça que será conduzida e protegida pelas fibras que simbolizam participação, transformação e união, mostrando as valiosas vidas daqueles que compõem as matas e convivem em harmonia com ela.
Mesmo na hora de reproduzir uma peça, faço alterações e, como estou sempre atento a detalhes, as idéias nascem a cada momento.
Com as jóias naturais, procuro realizar a fusão de formas com a caracterização de adornos étnicos, gerando assim um universo de segmentos e isto proporciona um atendimento amplo, sendo que as peças em metal classificado como nobre, sem dúvidas que atraem mais os olhares e arranca os suspiros (gosto disto!) de muitas clientes.









Portal das Jóias: Você teme a cópia de seu estilo e de suas peças? Por quê?
L'amorim: Meu estilo não é meu, apenas retrato o que vejo e o que sinto, da forma que compreendo. O estilo que uso é a forma de me expressar e se alguém copiar e revelar que se baseou em meu trabalho, irá enaltecer meu ego e promoverá meu sentimento de orgulho, pois saberei que consegui transmitir o que vi e esta mensagem não ficou restrita apenas a uma única peça. O alfabeto foi criado e copiado e assim o homem se comunica. Criar é assim, você cria para todos, não apenas para você.
Portal das Jóias: Vivemos um momento onde o mercado está muito competitivo com consumidores mais exigentes. Como você administra suas criações e suas vendas hoje?
L'amorim: Sou artesão e tenho noções de design que, fundidos ao “gostar do que faço” geram peças que têm um diferencial. Não faço peças apenas por fazer, elas são pensadas e realizadas para adornar e acompanhar alguém, ou ser ofertadas. É necessário que sejam a tradução de um bom sentimento para poder atender aos clientes que preferem um produto personalizado, produção limitada, exclusiva ou única.
No referente a vendas, busco lugares que tenham a mesma concepção que eu ou que possuam a preocupação de apresentar um produto diferenciado, pois pretendo continuar a fazer o que faço apesar das dificuldades do mercado.





Portal das Jóias: Você é freqüentador de feiras e eventos do segmento? Qual é sua opinião sobre esses eventos hoje no Brasil?
L'amorim: A decisão de seguir pelo caminho da arte, fazendo o que gosto é recente. Antes o fazia, mas sem o compromisso da sobrevivência. Fazia uma luminária para compor um ambiente, pintava um quadro para alguém dar de presente, tirava fotos que iriam fazer fundo em uma logomarca ou cartão de visitas, texturizava uma parede ou idealizava um ambiente para a loja que um amigo.
Hoje busco espaço para colocar minhas criações e pouco tenho participado de feiras ou similares, mas sempre que possível participo, mesmo como visitante, pois é uma oportunidade que se tem para fazer contato com o usuário, ouvir sua opinião, despertar interesses, mostrar meu trabalho, transmitir informações e comercializar; bem como fazer amizades, conhecer pessoas e adicionar informações ao seu centro de criação que começa a transformar cada objeto e cada segmento que você vê.
Uma feira também é uma oportunidade para muitos que não podem assumir o compromisso de ter uma loja, que não tem um local para expor seu trabalho, já que conseguir um local é algo bem difícil. Até mesmo nas feiras de fim de semana.
As feiras são locais para sondar a aceitação de seu produto ou pesquisar material, estilo de fabricação e apresentação. É um áudio visual com dezenas de segmentos onde você encontra desde o que se veste, o adorno que se usa, embalagens, tipos de stands, iluminação, distribuição e muito mais.






Portal das Jóias: Como você vê a internet hoje e qual a influência para o trabalho de um designer de jóias?
L'amorim: A internet agiliza o contatos e estreita relacionamentos, quebra a barreira do visível que em vezes dificulta a aproximação, facilita a pesquisa e relacionamentos.
Recentemente fiz contato com uma designer, Cris Koelle, que me retornou de maneira bem agradável e me orientou da melhor maneira possível. Após contato, pesquisando formas e material para um projeto, encontrei muitos dados sobre esta pessoa e agradeci ao universo pela internet, pois no mundo material seria muito difícil ter acesso a ela.
Outro dia lendo fórum de algumas comunidades ligadas a arte, onde você pergunta e recebe resposta, onde as pessoas dividem experiências com você, li alguma coisa sobre cerâmicas (tenho um projeto com cerâmica) e acabei por “conhecer” Beatriz Cominatto, que escreveu “Fazendo arte em cerâmica plástica” um livro que irá ajudar na minha pesquisa.
Já obtive resposta do Peru, França, Toronto e Portugal. Orientei pessoas em Santa Catarina e em São Paulo. Visitei muitos museus e conheci civilizações, li relatos do passado, jornais atuais e possibilidades futuras, tudo no mesmo dia e sem as barreiras impostas pelo visível, pela diferenças culturais, espaço ou tempo.
Para mim a internet é um meio de contato que facilita o acesso a informações, acelera o conhecimento e concede ao designer o encontro com todas as formas de expressão e comunicação existentes, para poder criar sem as fronteiras e os limites que são conseqüência do espaço.
A internet me faz lembrar o título do livro “Longe é um lugar que não existe”.
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