"O OURO E A PRATA"
Por Pércio de Moraes Branco - Geólogo
e-mail: museugeo@pa.cprm.gov.br


Pepita de ouro de 170 g

A prata e o ouro são seguramente os metais preciosos mais conhecidos e também os mais usados. Curiosamente, eles têm várias semelhanças e, ao mesmo tempo, grandes diferenças entre si.
Assemelham-se, por exemplo, na dureza (2,5 a 3,0), na alta ductibilidade (capacidade de serem reduzidos a fios) e alta maleabilidade (capacidade de serem reduzidos a finas lâminas). Outra semelhança está em alguns usos, já que ambos são empregados para confecção de jóias, em moedas, fotografias e na Odontologia (mas cada vez menos, e com o ouro já praticamente abandonado).
Os dois minerais cristalizam no sistema cúbico e são raros os cristais bem formados tanto de ouro quanto de prata; é mais comum aparecerem na forma de pepitas ou de fios irregulares.

Ambos podem ser obtidos como subproduto na metalurgia de metais básicos, como chumbo e cobre.
Tanto um quanto outro exigem, para uso em jóias, que sejam misturados a outros metais (estes em quantidades bem menores), como o cobre, para adquirirem mais resistência.
Ao lado dessas semelhanças, estão diversas diferenças. A prata, por exemplo, tem uma alta densidade (10,50 g/cm3), mas que é apenas metade da densidade do ouro (19,3 g/cm3). A cor dela é o cinza que se vê em vários outros metais, bem diferente do amarelo que tão bem caracteriza e valoriza o ouro.
Enquanto este aparece muito disseminado na natureza (como no Brasil), a prata está bem mais concentrada em termos globais, e só é produzida, em nosso país, no Paraná e em Minas Gerais, mesmo assim como subproduto do chumbo.


Prata filiforme com 52 mm, de Freiberg (Alemanha)


Massa de prata de 55 mm, da Floresta Negra (Alemanha)

Como dificilmente entra em reação química, o mineral de ouro mais comum é o ouro nativo (não combinado); os demais são principalmente teluretos e ligas naturais. Já a prata ocorre no estado nativo, em ligas e em teluretos, mas também como sulfetos, sulfoantimonetos e sulfoarsenetos,
Minerais contendo prata são muito mais numerosos (em torno de uma centena, pelo menos) que os que contêm ouro (cerca de 20).
O ouro é o mais dúctil e mais maleável dos metais, mas a prata é o que melhor conduz o calor e a eletricidade, além de possuir o menor índice de refração conhecido (0,181).

A maior pepita de ouro encontrada no Brasil e a maior em exposição no mundo. Descoberta em Serra Pelada (PA) e pertencente ao Museu de Valores do Banco Central (Brasília, DF). Tem 60,8 kg, mas é parte de uma pepita de 350 kg que se partiu ao ser retirada.

Fotos da prata são do livro Enciclopédia de Minerais, de P. Korbel e M. Novák.
Pepita de 170 g é do livro Brasil Paraíso das Pedras Preciosas, de Jules Sauer.
A maior pepita = Pércio de Moraes Branco
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