"A função do designer"

Por Kátia Faggiani - Designer de Jóias
E-mail: katia@katiafaggiani.com.br

No mês passado verificamos a importância que o designer pode assumir dentro de uma empresa. Neste mês vamos falar um pouco mais sobre o papel desse profissional em imputar uma série de funções ou significados no contexto de uso de uma jóia, que vão além da sua função, os quais devem ser considerados, ou ao menos previstos, pelo designer ao longo da atividade projetual.

Uma das principais funções do designer é de atribuir significados de níveis mais complexos como questões de segurança, facilidade de uso, prestígio e enriquecer dessa forma o produto, embutindo sentidos duradouros, em oposição à efemeridade da moda, atingindo um grau maior de aderência aos significados e funções do mesmo, visto que seu trabalho está ligado aos estágios de concepção, produção e distribuição.


Artigiani


Silvania


Bliss


Staurino Fratelli


Silvania


Bliss

Partindo da premissa em que “o ser humano não responde às qualidades físicas das coisas, mas ao que elas significam para ele” (Krippendorff, 2000), o design deve levar em conta fatores como cultura, gostos, experiências individuais, valores e preconceitos. Esse conjunto de aspectos diz respeito ao que Löbach (1981) identificou como função simbólica, que complementa as funções prática e estética dos objetos.

Assim, os produtos refletem aspectos do indivíduo dentro do seu contexto histórico, portanto, é necessário conhecer este ser humano para se criar produtos de forma coerente com seus desejos e necessidades. Boneto (1993) afirma que “um designer não pode viver isolado no alto de um pedestal, tem que experimentar e compreender as situações e problemas relacionados com a utilização de um produto”. O autor destaca a importância de conhecer o que o consumidor realmente precisa e deseja em relação a objetos. Com referência a essa preocupação com o consumidor, Moraes (1997) propõe que o indivíduo seja adotado como o principal meio de orientação projetual. Isto é, atualmente, o que deveria vir em primeiro lugar seriam os desejos e necessidades do consumidor e remediar essas carências criando produtos. Levando em conta esse enfoque, há a possibilidade de surgir soluções mais inovadoras, diferenciadas e, às vezes, inusitadas (Moraes, 1997).


Philippe Airaud


G. Robert SRL


Botticelli


Salvini

O designer age no caso da atribuição de significados aos produtos, uma vez que seu trabalho está ligado às fases de concepção, produção e distribuição. Dessa forma o designer pode atribuir significados aos objetos nas diversas fases de suas atribuições, que vão muito além da funcionalidade do produto. Bonfim (1995), ao falar sobre o artefato como elemento capaz de portar informações sobre o desenvolvimento de uma sociedade, afirma que o mesmo “independente das funções imediatas a que serve, revela algo sobre o próprio objeto, sobre seus usuários e sobre o momento social, político e econômico em que se dá o relacionamento entre eles”. O objeto carrega concepções e valores resultantes da leitura do designer sobre a cultura e a sociedade a que pertence, traduzindo assim comportamentos, visões de mundo, valores estéticos e estágios tecnológicos que nos possibilitam uma leitura da cultura em que os mesmos estão inseridos.

Dessa forma, nos últimos anos, design e marketing vêm se transformando em áreas inseparáveis. O designer não deveria mais criar nada sem antes fazer uma pesquisa de mercado, buscando as expectativas e necessidades do consumidor, características do mercado e da concorrência, assim como investigando o público-alvo e o comportamento do mesmo. Isto colocado fica claro que a sociedade de consumo atual se movimenta pela conquista do consumidor, oferecendo novidade, praticidade, conveniência e uma série de apelos emocionais, fisiológicos e sociológicos.

Chegamos ao final de mais um ano, presentes são trocados, símbolos freqüentam vitrines iluminadas e nossas casas, melodias e cores refletem emoção, aconchego, paz e harmonia. Na nossa sociedade, poucas datas comemorativas possuem significados tão ricos quanto o Natal, os quais podem ser atribuídos pelo designer aos produtos, valorizando ainda mais esta grande festa.

Por fim, aproveito a ocasião para desejar a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de sucesso, paz e muitas... muitas idéias. Somos privilegiados porque contamos com o seu interesse, opinião e preferência, e é isso que nós dá motivos para continuarmos sempre buscando o melhor para você.

Até 2006!!!

Fonte: livro “O poder do design: da ostentação à emoção”, publicado pela Thesaurus Editora, em lançamento neste mês.

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