Com o crescimento da profissão
de designer de jóias,
surgem novos profissionais.
Não é necessário uma formação
acadêmica no segmento, mas com muita dedicação,
conhecimento técnico, reciclagem permanente
e especialização em diversas áreas,
é possível se tornar um bom profissional.
Especialização é exatamente
o ponto de partida para quem quer se tornar um
profissional respeitado, principalmente através
de cursos, pesquisas, palestras, etc.
Procedimento que exige tempo, sacrifício,
determinação e custos elevados para
realizar toda esta trajetória até
atingir a meta idealizada. E ela continua mesmo
após ser alcançada, pois existe
uma necessidade constante em se aprimorar e se
atualizar.
A princípio tudo parece estar perfeito
seguindo este caminho, mas existem outros detalhes
que fazem parte deste contexto. O valor que será
cobrado pelo trabalho de criação
de cada projeto é um fator dos mais importantes.
Não basta ter um elevado conhecimento na
profissão e ser capacitado para exercê-la.
É necessário saber “vender”
seu trabalho por um valor justo e que lhe traga
além da sobrevivência, a capacidade
de realizá-lo dignamente.
Muitas vezes o profissional segue uma trajetória
perfeita e atinge seu ideal com afinco, mas terminado
esta parte da conquista acaba se apavorando com
a nova e próxima conquista que será
o mercado.
Neste momento é preciso muita paciência,
uma certa estratégia e consciência
de que toda atitude tomada irá marcar o
perfil deste profissional.
O sentimento que temos nesta nova etapa é
de que somos jogados numa arena e a melhor forma
de vencermos esta luta é aceitar as condições
já impostas.
O desgaste, a pressão da concorrência,
a necessidade de pagar nossos compromissos e a
ansiedade em conseguir exercer a profissão,
são conseqüências que acabam
impedindo o nosso raciocínio com clareza.
As dificuldades existem e como no próprio
processo para se especializar, esta fase irá
exigir sacrifícios, perseverança,
equilíbrio e determinação.
É difícil, mas a escolha do caminho
mais árduo, com certeza levará a
um futuro mais sólido.
A sedução em ganhar pouco e mais
rápido, conquista por ser menos desgastante
e acredita-se que isso não afeta em futuros
negócios. Ledo engano, pois é um
percurso sem volta, onde uma vez cobrado um valor
com raras exceções se conseguirá
mudá-lo.
O valor mais baixo não é conquista
permanente do cliente e não amplia nosso
leque de clientes. Este empresário que
adquiriu seus trabalhos só pelo preço,
amanhã provavelmente irá trocá-lo
por uma oferta maior e sua capacidade não
entrará em questão. Lógico
que há exceções; mas isto
às vezes é uma prática normal
até entre os profissionais que sabem se
posicionar.
Além de tudo esta atitude irá provocar
no mercado uma competição que promoverá
uma desvalorização sem fronteiras,
virando um ciclo vicioso onde o único prejudicado
será o próprio designer.
Como sobreviver muito tempo nesta situação?
Como ser respeitado permitindo que determinem
o preço em seu trabalho?
Como ser valorizado, se não partir de si
próprio à atitude de se valorizar?
Como realizar um projeto com total qualidade e
dar a devida assessoria se tiver que manter mais
clientes para suprir o valor menor que é
cobrado?
Mas atenção, os profissionais não
devem ser abusivos e extrapolarem quando forem
negociar. Tudo deve partir de um parâmetro
delineado pelo bom senso e com uma análise
própria de cada um, chegando em um valor
que possa ser justo para ambos.
Tenho recebido alguns e-mails, perguntas
de profissionais que estão iniciando e
também tenho acompanhado a trajetória
de outros que fatalmente acabam abandonando a
profissão por não resistirem as
dificuldades geradas por tais atitudes.
É difícil... Na verdade muito difícil,
mas não impossível.
Criar não é um enlatado que fica
exposto na prateleira de um supermercado...
Criar é se doar à inspiração
e trazer para a realidade produtos que encantem,
que façam a diferença e satisfaçam
as necessidades das pessoas.