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OS SETE PECADOS
CAPITAIS DA GEMOLOGIA
O uso equivocado de palavras
e expressões acontece em todas as áreas de atividade
e em todas as profissões. Só que isso não
nos dá o direito de ignorar o correto significado das palavras
e termos técnicos que usamos em nosso trabalho.
Na estudo das gemas, esses
equívocos também existem, e alguns são bem
arraigados. Escolhemos alguns exemplos, que nos parecem os mais
graves e/ou os mais freqüentes.
1. Confundir pedra sintética
com pedra artificial.
Tanto as
pedras sintéticas quanto as artificiais
são produzidas em laboratório, mas há uma
diferença fundamental entre elas: as sintéticas
existem também na natureza, as artificiais
não. Essa distinção não é mera
convenção, pois foi incluída em uma norma
técnica da ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas).
2. Chamar zircônia
cúbica de zircônia
apenas.
A zircônia
(óxido de zircônio) pode cristalizar nos sistemas
monoclínico e cúbico. A zircônia
monoclínica é o mineral chamado baddeleyíta.
Já a zircônia cúbica
não é mineral nenhum, pois trata-se de uma gema
artificial. Portanto, quando se referir a ela, diga zircônia
cúbica, não zircônia
apenas.
3. Dividir as gemas
em preciosas e semipreciosas.
Essa distinção
é confusa, arbitrária, desnecessária e sem
fundamento científico ou econômico, sendo o Brasil
um dos poucos países onde ainda é usada. As gemas
podem ser caras ou baratas, como inúmeros outros produtos,
mas isso não é motivo para chamar as mais baratas
de semipreciosas. Hans Stern,
proprietário da rede de joalherias H. Stern, diz, com razão,
que não existe pedra semipreciosa assim como não
existe mulher semigrávida.
4. Usar transparente ou branco
como sinônimo de incolor.
Substância transparente
é a que permite que se veja com nitidez o que está
além dela. Pode ser incolor
ou de qualquer cor. Substância branca
é a que reflete todas as cores, não permitindo ver
o que há por trás de si. O diamante
do seu anel portanto, é incolor (e transparente), não
branco.
5. Usar brilhante
como sinônimo de diamante.
Brilhante
é um tipo de lapidação
e não o nome de uma gema.
Por mais usado que ele seja na lapidação de diamantes,
não é sinônimo de diamante.
Diga, portanto, que você tem um anel de diamante,
não de brilhante.
6. Chamar cristal-de-rocha de
cristal apenas.
Cristal
é uma porção de matéria cristalina
que pode ser limitada por faces planas. Todos os minerais
formam cristais, de modo
que existe cristal de granada,
cristal de ouro, cristal
de diamante, etc. Já cristal-de-rocha
é algo muito mais específico, o
quartzo incolor. É uma denominação
infeliz, mas consagrada internacionalmente, sendo encontrada no
italiano, no espanhol, no inglês e no francês, por
exemplo. Portanto, quando quiser se referir ao
quartzo incolor, diga cristal-de-rocha,
não apenas cristal.
7. Chamar citrino
por qualquer nome que contenha a palavra topázio
ou cristal-de-rocha por qualquer
nome que contenha a palavra diamante.
No mercado de gemas,
há um número muito grande de nomes comerciais ou
populares contendo a palavra diamante.
Ex.: diamante Briancon,
diamante Baffa,
diamante-do-alasca,
etc. Só que nada disso é diamante,
mas sim quartzo incolor,
menos comumente outra gema
(pirita, topázio, zircão, etc.).
Do mesmo modo, há muitos nomes com a palavra topázio.
Ex.: topázio Rio Grande,
topázio Hinjosa,
topázio Madagáscar,
topázio-da-boêmia,
etc. Neste caso, trata-se geralmente de citrino,
algumas vezes obsidiana,
crisólita
ou quartzo enfumaçado.
Portanto, não se deixe enganar. Se tiver dúvidas,
consulte um bom glossário de Gemologia.
Por
Pércio de Moraes Branco - Geólogo
Pércio e nosso consultor para esta coluna:
http://www.portaldasjoias.com.br/consultoria.htm
E-mail: museugeo@pa.cprm.gov.br
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