"O verdadeiro e o falso âmbar"
(na cerâmica plástica)

Por Beatriz Cominatto - Fimo Designer
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Desde a pré-história, o homem utiliza como adorno, uma resina natural muito dura, formada há 50 milhões de anos, chamada âmbar. É a primeira gema utilizada pelo homem. Em sítios arqueológicos foram encontrados objetos decorativos, talismãs e amuletos nesse material. É uma resina fóssil, liberada em forma de secreção, de uma espécie de pinheiro já desaparecida. Essa secreção funcionava como uma proteção natural à sua madeira, contra ataques de pequenos insetos e bactérias. Com consistência de cera, pouco flexível, de coloração semi-transparente, que vai do amarelo claro ao marrom escuro, podendo ser avermelhado, alaranjado, ou mesmo esverdeado, azulado, ou branco.
Também pode ter maior e menor transparência. Em seu interior podem formar-se bolhas de ar, que também alteram sua coloração.
É encontrada com mais freqüência na antiga Prússia Oriental, ao longo do litoral mar Báltico. Mas também em menor quantidade, pode ser encontrado na França, Itália, Estados Unidos, Canadá, República Dominicana e mais alguns outros países.
Uma de suas principais características, é poder encontrar em seu interior fósseis de insetos (mais de 1000 espécies diferentes já foram catalogadas), a maioria já extinta, e também fragmentos de flores, folhas, sementes, pelos e dentes de animais, que ficaram presos na resina ainda pegajosa, antes desta se solidificar, perdendo água e ar com a ação do tempo. Até mesmo lagartos, rãs e sapos fossilizados podem ser encontrados. Muitos desses pequenos corpos estranhos, aumentam em muito seu valor, principalmente quando de espécies mais raras ou mesmo extintas. O âmbar encontrado na República Dominicana, é o que apresenta um maior número de fósseis em seu interior.
É uma resina natural que, quando friccionada, produz uma grande eletricidade estática, atraindo algumas substâncias leves, como algodão, palha, papel picado, etc. Foi através do âmbar que se observou a primeira experiência de atração eletrostática, ainda no século VI ªC.
O âmbar pode ser de mina ou de mar. Quando aquecido, produz um agradável aroma de madeira de pinho ( é uma das formas de saber se é verdadeiro ou falso, uma outra maneira é colocar na água salinizada, pois o verdadeiro flutua).
Algumas propriedades terapêuticas e místicas também lhe são atribuídas, como a de absorver energia negativa do corpo, quando colocada sobre partes em desequilíbrio ou dor. Na Europa, é utilizado também para afastar o mau-olhado.
No Tibet, está associado ao equilíbrio interior e à busca da perfeição.
Artistas e joalheiros utilizam essa resina de grande beleza, mas geólogos e paleontólogos são atraídos pelas formas de vida pré-históricas, contidas em seu interior por milhões de anos.



Mas não pense que aí termina sua importância científica, pois geneticistas, biólogos, químicos, arqueólogos, botânicos e zoólogos, encontram nesse material uma importante, rica, fascinante e interminável fonte para suas pesquisas. Até mesmo pesquisas de recuperação de DNA estão sendo feitas (isso nos lembra, embora um tanto exagerada na ficção, o filme Parque dos Dinossauros).

E mais uma vez, como não poderia deixar de acontecer, a cerâmica plástica também pode ser utilizada em imitações da aparência física externa desta gema. Para isso, utilizamos sempre massa o mais translúcida possível, até mesmo mais de um tipo (se for o caso), mas sem uma mistura muito homogênea, para dar mesmo um efeito desigual. Não é um processo muito simples, embora eu tenha encontrado formas diferentes de chegar ao falso âmbar. Mas a que mais gostei, também foi a mais elaborada, onde tinta transparente em várias tonalidades, foram utilizadas no tingimento da massa, e depois tonalidades mais escuras foram injetadas em seu interior através de uma seringa (mas antes, alguns sulcos foram abertos na massa refrigerada para receber essa tinta). Somente depois de esperar um dia completo, para a secagem absoluta da tinta , podemos finalizar as contas e queimá-las. O polimento perfeito é indispensável, como também o verniz, aplicado em diversas camadas, contribuindo para um perfeito acabamento vitrificado.
Vejo no âmbar, um material com toques místicos, de significados interessantíssimos, inclusive para a ciência. Em função disso, o achei perfeito (relembrando sua simbologia tibetana), para iniciar o novo ano de forma bastante especial.
Feliz e próspero 2005!

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