"Banhos de metais"
Por Frederico Draco - Engenheiro de Processos
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Caros leitores, como sabem quase todas as peças de bijuterias, todas folheadas e muitas joias têm um recobrimento eletrolítico mais conhecido como banho ou folheação. Vamos tentar a partir deste mês falar de forma clara a todos e explicar os princípios da Galvânica.
O termo galvanoplastia tem sua origem em Luigi Galvani (1737 – 1798), e é uma das aplicações da eletrolise. Trata-se de um processo no qual uma peça metálica recebe um revestimento com outro metal; dependendo do metal depositado na peça, afim de revesti-la, temos a niquelação, cromação, douração, prateação, etc.
Os objetivos deste revestimento são os mais diversos, como aumento da dureza superficial, proteção contra corrosão, proteção contra oxidação, decorativo, etc. Uma aplicação curiosa foi o uso de uma camada de aço inoxidável nas rodas de alumínio da sonda Mars Survival a fim de reduzir o peso do equipamento e ao mesmo tempo tornar-lhe resistente à atmosfera corrosiva de marte.
Basicamente a galvânica funciona utilizando-se de um principio muito simples que todos conhecem. Os opostos se atraem, ou seja, carga negativa atrai positiva e vice-versa.
As peças que recebem o metal ficam no pólo negativo ou catodo do banho e recebe as cargas metálicas positivas que estão suspensas na solução do banho (daí vem o nome banho, uma vez que está solução é liquida) quando “ligamos o banho estas cargas vão em direção a peça ligando-se ao metal da peça formando a camada com o metal que estava suspenso no banho.
Como conceito espero que todos tenham compreendido mas como seqüência vou tratar de um assunto que acredito ser mais importante, visto os e-mails que recebo com as mesmas duvidas freqüentemente.
1- Tipos de Banho: na bijuteria e no folheado os banhos mais comuns são: ouro, prata, níquel e ródio. Porem sempre recebo dúvidas quanto a outros tipos de banhos que estão sendo encontrados no mercado (principalmente em bijuterias importadas) e que na verdade não são banhos propriamente ditos, e são desconhecidos do público brasileiro que são: o oxido de titânio e o alumínio anodizado. O oxido de titânio muito encontrado em bijuterias chinesas é uma camada dourada um pouco diferente do ouro comumente empregada em pulseiras de relógio, mas muito dura e muito barata comparada ao ouro, o único problema é que estão vendendo como ouro. O alumínio anodizado consiste em um banho invertido onde temos uma oxidação forçada do alumínio, como resultado temos também uma camada muito dura e com cores extraordinárias passando pelo roxo, vermelho, marrom entre outras.
2- Qualidade do banho: podemos dizer que uma mesma peça, confeccionada do mesmo material e banhada em empresas diferentes pode chegar ao mercado com preços diferentes. Isto porque a qualidade do banho está em parte ligada a quantidade de metal que é depositado na peça, ou seja, se uma peça feita em latão e banhada em ouro receber uma quantidade x em uma empresa e ½ x em outra, significa que a peça que recebeu a quantidade menor vai custar pelo menos 30% menos que a que recebeu a camada maior, conseqüentemente a vida útil desta mesma peça será 50% menor que a outra, se analisarmos bem veremos que é o tipo de situação que o barato sai caro.
3- Metal base: como metal base podemos citar os mais comuns: latão, pewter e alumínio. A qualidade da camada também está ligada ao tipo de metal base e sua capacidade de aderência ao metal de recobrimento Outro fator importante é o acabamento da superfície do metal base, que quanto melhor, melhor será o depósito sobre ele. Podemos dizer que o latão dos três é o mais nobre e que o pewter é o mais utilizado. Quando são adquiridas peças de pewter é muito importante saber se é pewter mesmo, alguns produtores inescrupulosos estão utilizando uma variante do mesmo a fim de reduzir custo, que leva altos percentuais de chumbo, sendo que o pewter não leva além de rastros de chumbo.
4- Nickel: decidi dedicar este tópico para falar sobre este banho que tem gerado muitas dúvidas. O nickel é um metal considerado cancerígeno e proibido em vários países, varias tentativas foram feitas por algumas empresas para utilizar outros materiais, entre eles o cromo e o estanho, mas como para os mercados de bijuteria e folheados o que vale é a cor da camada estes metais não tiveram sucesso, na verdade o banho de nickel é uma substituição, como sempre para baixar custo, do ródio que é um dos metais mais caros e raros do planeta.
5- Ouro velho: este tipo de banho tem gerado duvidas quanto a alergia a ele.
Mais uma vez o problema é comercial, o ouro velho na verdade é uma oxidação forçada da camada de ouro (que deve ser de ouro baixo para que isto ocorra) e posteriormente polida para retirar o excesso de oxidação e dar a característica desejada, mas o que tem acontecido é fazer um banho de latão, oxidá-lo e polir para obter o mesmo efeito, o grande problema é que o latão é um metal que oxida facilmente e muitas pessoas tem alergia a este tipo de oxido, felizmente ele não é cancerígeno.
6- ABS: outra duvida curiosa que me chegou a algum tempo é porque o abs fica preto logo. Bom o ABS é um termoplástico injetado que recebe uma tinta condutiva para que o mesmo possa receber o banho, até ai tudo bem, o problema é conceitual, os banhos no Brasil trabalham com camadas baseadas no peso da peça ou seja x milésimos do peso da peça de metal é adicionado a ela, como o ABS é muito leve o metal adicionado será muito pouco. Imagine uma peça em latão e uma em ABS, considerando que o ABS é 10 vezes mais leve que o latão e que a peça em latão recebeu 0,01g de ouro, a peça em ABS irá receber 0,001g. Resultado a vida útil do ABS será muito menor que uma em metal, uma implementação que iria ajudar a resolver a maioria das dúvidas e problemas de banhos seria o banho ser aplicado por área e não por peso como é feito na maioria dos casos.

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