Caros leitores, como sabem quase todas
as peças de bijuterias,
todas folheadas e
muitas joias têm
um recobrimento eletrolítico
mais conhecido como banho
ou folheação.
Vamos tentar a partir deste mês falar de forma clara
a todos e explicar os princípios da Galvânica.
O termo galvanoplastia
tem sua origem em Luigi Galvani (1737 – 1798), e é
uma das aplicações da eletrolise.
Trata-se de um processo no qual uma peça metálica
recebe um revestimento com outro metal;
dependendo do metal depositado na peça, afim de
revesti-la, temos a niquelação,
cromação,
douração,
prateação,
etc.
Os objetivos deste revestimento são os mais diversos,
como aumento da dureza superficial, proteção
contra corrosão,
proteção contra oxidação,
decorativo, etc.
Uma aplicação curiosa foi o uso de uma camada
de aço inoxidável
nas rodas de alumínio da sonda Mars Survival a
fim de reduzir o peso do equipamento e ao mesmo tempo
tornar-lhe resistente à atmosfera corrosiva de
marte.
Basicamente a galvânica
funciona utilizando-se de um principio muito simples que
todos conhecem. Os opostos se atraem, ou seja, carga negativa
atrai positiva e vice-versa.
As peças que recebem o metal
ficam no pólo negativo
ou catodo do banho e recebe as cargas metálicas
positivas que estão suspensas na solução
do banho (daí
vem o nome banho,
uma vez que está solução é
liquida) quando “ligamos o banho
estas cargas vão em direção a peça
ligando-se ao metal
da peça formando a camada com o metal
que estava suspenso no banho.
Como conceito espero que todos tenham compreendido mas
como seqüência vou tratar de um assunto que
acredito ser mais importante, visto os e-mails que recebo
com as mesmas duvidas freqüentemente.
1- Tipos de Banho:
na bijuteria e no
folheado os banhos
mais comuns são: ouro,
prata, níquel
e ródio. Porem
sempre recebo dúvidas quanto a outros tipos de
banhos que estão
sendo encontrados no mercado (principalmente em bijuterias
importadas) e que na verdade não são banhos
propriamente ditos, e são desconhecidos do público
brasileiro que são: o oxido
de titânio e o alumínio
anodizado. O oxido
de titânio muito encontrado em bijuterias
chinesas é uma camada dourada
um pouco diferente do ouro
comumente empregada em pulseiras de relógio, mas
muito dura e muito
barata comparada
ao ouro, o único
problema é que estão vendendo como ouro.
O alumínio anodizado
consiste em um banho invertido onde temos uma oxidação
forçada do alumínio,
como resultado temos também uma camada muito dura
e com cores extraordinárias
passando pelo roxo,
vermelho, marrom
entre outras.
2- Qualidade do banho:
podemos dizer que uma mesma peça, confeccionada
do mesmo material e banhada
em empresas diferentes pode chegar ao mercado com preços
diferentes. Isto porque a qualidade do banho
está em parte ligada a quantidade de metal
que é depositado na peça, ou seja, se uma
peça feita em latão
e banhada em ouro
receber uma quantidade x em uma empresa e ½ x em
outra, significa que a peça que recebeu a quantidade
menor vai custar pelo menos 30% menos que a que recebeu
a camada maior, conseqüentemente a vida útil
desta mesma peça será 50% menor que a outra,
se analisarmos bem veremos que é o tipo de situação
que o barato sai caro.
3- Metal base:
como metal base podemos
citar os mais comuns: latão,
pewter e alumínio.
A qualidade da camada também está ligada
ao tipo de metal base
e sua capacidade de aderência ao metal
de recobrimento Outro fator importante é o acabamento
da superfície do metal
base, que quanto melhor, melhor será o depósito
sobre ele. Podemos dizer que o latão
dos três é o mais nobre
e que o pewter é
o mais utilizado. Quando são adquiridas peças
de pewter é
muito importante saber se é pewter
mesmo, alguns produtores inescrupulosos estão utilizando
uma variante do mesmo a fim de reduzir custo, que leva
altos percentuais de chumbo,
sendo que o pewter
não leva além de rastros de chumbo.
4- Nickel: decidi
dedicar este tópico para falar sobre este banho
que tem gerado muitas dúvidas. O nickel
é um metal
considerado cancerígeno
e proibido em vários países, varias tentativas
foram feitas por algumas empresas para utilizar outros
materiais, entre eles o cromo
e o estanho, mas
como para os mercados de bijuteria
e folheados o que
vale é a cor da camada estes metais
não tiveram sucesso, na verdade o banho
de nickel é uma substituição,
como sempre para baixar custo, do ródio
que é um dos metais
mais caros e raros do planeta.
5- Ouro velho:
este tipo de banho
tem gerado duvidas quanto a alergia
a ele.
Mais uma vez o problema é comercial, o ouro
velho na verdade é uma oxidação
forçada da camada de ouro
(que deve ser de ouro baixo para que isto ocorra) e posteriormente
polida para retirar o excesso de oxidação
e dar a característica desejada, mas o que tem
acontecido é fazer um banho
de latão, oxidá-lo
e polir para obter
o mesmo efeito, o grande problema é que o latão
é um metal
que oxida facilmente e muitas pessoas tem alergia
a este tipo de oxido,
felizmente ele não é cancerígeno.
6- ABS: outra
duvida curiosa que me chegou a algum tempo é porque
o abs fica preto
logo. Bom o ABS é
um termoplástico
injetado que recebe uma tinta condutiva para que
o mesmo possa receber o banho,
até ai tudo bem, o problema é conceitual,
os banhos no Brasil
trabalham com camadas baseadas no peso da peça
ou seja x milésimos do peso da peça de metal
é adicionado a ela, como o ABS
é muito leve o metal
adicionado será muito pouco. Imagine uma peça
em latão e uma em ABS,
considerando que o ABS
é 10 vezes mais leve que o latão
e que a peça em latão recebeu 0,01g de ouro,
a peça em ABS
irá receber 0,001g. Resultado a vida útil
do ABS será
muito menor que uma em metal,
uma implementação que iria ajudar a resolver
a maioria das dúvidas e problemas de banhos
seria o banho ser
aplicado por área e não por peso como é
feito na maioria dos casos.
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