"Ano novo, vida nova, materiais novos!"


Por Kátia Faggiani - Designer de Jóias

E-mail: katia@katiafaggiani.com.br

Aumenta a cada dia as jóias trabalhadas com materiais ecológicos e alternativos misturados com ouro. E o ano de 2005 promete mais inovações.
Antigamente, quando se falava em
jóias, imaginava-se uma peça em ouro, pedras preciosas e diamantes. Não era usual se ver jóias feitas com outros materiais (alternativos e sem valor monetário) e, quando usados, eram vistas como bijuterias.
Hoje, porém, Chaumet, por exemplo, está utilizando
borracha em relógios de luxo, sobretudo masculinos. De outro lado, o costureiro Jean Paul Gaultier e outros joalheiros reconhecidos no mundo do luxo, se utilizam desde tecido à madeira para criar suas coleções de jóias, tudo misturado com pedras e brilhantes, muito colorido, lindo e caro, apesar dos materiais alternativos não terem nenhum valor monetário.

Com novas tecnologias revolucionando o mercado e a conscientização dos designers de jóias e joalheiros para o reaproveitamento de novos materiais, surgem novos padrões de jóias, refletindo esta nova safra de designers de jóias, que apresentam uma nova proposta em joalheria, inserindo novos materiais e criando preços mais acessíveis.
Isso tudo pode se dar devido à nova visão democrática do luxo, como foi colocado no artigo do mês de novembro-2004. Referência no mercado mundial de design, a utilização de vários materiais e diferentes técnicas para criar e confeccionar
jóias, como platina, prata, papel artesanal e sementes, misturados com materiais caros e valiosos como ouro, diamantes, pedras preciosas e pérolas, mudou todo o comportamento da moda joalheira. Madeira, fios de náilon e ouro se misturam. Com a 'descoberta' dos novos materiais, o capim dourado, por exemplo, passou a valer ouro. A fibra de buriti e a piaçava são outros exemplos de materiais alternativos usados atualmente na joalheria.
Mas como transformar esses materiais sem valor em matéria-prima de luxo?! O toque importante é que as criações se mantenham sempre atuais com uma boa linha e boa forma para que perdurem e sejam valorizadas por sua linguagem simbólica e valores cognitivos, semióticos, semânticos, culturais e ecológicos, sobretudo por seu trabalho artesanal, já que a maioria dos materiais alternativos não têm valor monetário.
Portanto, não tenha medo de inovar nos materiais, basta ser criativo e valorizar suas peças de modo que se consagrem jóias. Bom ano novo e boas idéias!
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