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O
“dreamketing” – marketing
dos sonhos ou “sonharketing” – postula
que, para se diferenciar, as empresas devem interpretar
e materializar os desejos mais profundos dos clientes.
Segundo essa nova corrente, as empresas vendem
sonhos; os produtos e serviços são
considerados apenas um meio de estimular os desejos
mais profundos do consumidor. Essa é a
idéia central de uma nova corrente no marketing
defendida por Gian
Luigi Longinotti-Buitoni, seu criador,
que tem no currículo o comando da Buitoni-Perugina
e da Ferrari
norte-americana e, agora, o livro Vendendo
Sonhos, publicado no Brasil pela Negócio
Editora. Buitoni
explica que sua proposta tem parentesco com o
marketing da experiência, mas vai além,
pois busca conectar-se com a “imaginação”
do cliente. O ponto de partida é
descobrir os sonhos dos consumidores e apelar
para a paixão, mais do que para a razão,
a fim de atrai-los para as fileiras da empresa.
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Pode-se dizer que existem
três sonhos principais na sociedade atual, segundo
Buitoni: o reconhecimento
social (atrair a atenção e o respeito
dos demais), a liberdade (transcender as limitações)
e o heroísmo (identificar-se com personagens
muito admirados). O passo seguinte é materializá-los.
Em
que consiste o dreamketing?
Como todo mundo sabe, existe um excesso de oferta
de produtos e serviços indiferenciados. Para
se destacar, as empresas devem conquistar o imaginário
dos consumidores. O dreamketing
parte da premissa de que o sucesso do negócio
depende de interpretar e materializar os desejos mais
profundos dos clientes. Trata-se de vender uma experiência.
A jóia,
por exemplo, é um “objeto
sonhado”, porque é exclusiva e mais
do que qualquer outro acessório segue os ciclos
da moda. Nos
anos 70, eram totalmente étnicas. Nos anos
80, foram usadas em quantidade, como um símbolo
de status e riqueza. Na década seguinte, acompanhando
o estilo determinante da época, o minimalismo,
surgiram pequenas e discretas. Atualmente, com a quantidade
de bijuterias finas,
o importante é seduzir pelo sonho, e não
pelo custo. Jóias
são elaboradas em pequenas séries e
se tornam uma referência pessoal.
O sucesso de um serviço ou produto reside na
atração emocional que exerce sobre os
compradores. A Ferrari
não vende carros, mas a ilusão da velocidade;
a Ferragamo vende
o sonho da elegância.
Como
são interpretados os sonhos mais profundos
dos consumidores?
Os sonhos são difíceis de definir e
mais ainda de realizar: mudam o tempo todo e nascem
de nosso ser irracional, no qual predomina a paixão
sobre a razão. São tão confusos
que, freqüentemente, nem mesmo o cliente pode
expressá-los com clareza. Para descobrir os
sonhos dos consumidores as empresas devem ir além
dos métodos tradicionais, como a pesquisa de
mercado, e adotar uma “plataforma
artística”, na qual os sentimentos e
a intuição prevaleçam sobre os
números.
Por outro lado, não devemos esquecer o mais
importante: que os sonhos não são objetos
específicos, mas estados de espírito;
os produtos inspiram sonhos. Uma coroa,
por exemplo, desperta o desejo de reinar, e não
o de ser dono desse objeto. Então, o papel
do “dreamarketer”,
ou “marketeiro de sonhos”,
é induzir estados de espírito. Claro
que é mais fácil fazê-lo numa
empresa como a Ferrari,
que pode criar um produto rico em emoções
porque não tem restrições de
custo. Sem dúvidas, as companhias que vendem
produtos ou serviços econômicos também
podem conectar-se emocionalmente com seus clientes.
A criatividade de uma empresa pode transformar produtos
comuns em sonhos. Por exemplo, os jeans
Levi`s de hoje estão muito longe das
velhas calças para quem trabalhava nas minas
de carvão; os tênis
Nike são uma “declaração”
de um estilo de vida; o filme Titanic
não é um simples documentário
sobre um trágico naufrágio; e o Viagra
é muito mais que uma pílula contra a
impotência. Estabelecer uma conexão com
o imaginário do cliente é o caminho
obrigatório para o sucesso do negócio.
De que elementos o marketeiro
de sonhos pode se valer para induzir a sonhar?
Para criar um sonho,
o dreamarketer
baseia-se nos motivos que impulsionam a compra. É
claro, vender um produto que satisfaz uma necessidade
é mais fácil que detectar os desejos
do consumidor. Quando se trata de saciar a sede, é
óbvio que basta um copo d`água: mas
para adquirir uma jóia
rara, poder-se-iam colocar em jogo várias motivações
simbólicas (demonstrar de forma visível
à classe social), estéticas (admirar
a beleza de sua cor) ou até racionais (fazer
um bom investimento).
O marketeiro
de sonhos deve
avaliar todos esses aspectos, a fim de atingir a maior
quantidade possível de clientes. A motivação
principal depende de fatores como tipo de produto
ou serviço, nível cultural do cliente,
concorrência e volume de vendas esperado. Por
outro lado, como uma estratégica baseada em
motivações simbólicas provoca
uma reação mais imediata e ampla do
que a que enfatiza o estético, exigem-se diferentes
estilos de dreamketing.
Como se elabora a campanha
de dreamketing?
Não existem regras fixas. Um caminho é
analisar o ciclo de vida do produto ou serviço.
Os que têm um ciclo curto, como os perfumes
e os artigos
de moda, exigem
estratégias agressivas que se renovem constantemente,
como campanhas em televisão, jornais ou revistas.
A mensagem deve provocar um impacto muito rápido
e de fácil assimilação.
Os produtos com ciclo de vida médio – jóias,
acessórios,
equipamentos
– exigem um enfoque mais sutil que, além das
motivações simbólicas, leve em
consideração valores estéticos,
portanto, é preciso colocar na mensagem a ênfase
na qualidade. No caso de produtos com ciclos de vida
longos, como móveis e vinhos, é fundamental
acentuar o valor estético, representado pela
exclusividade, que se consegue por meio de recomendações,
eventos e campanhas na mídia especializada.
Saiba mais sobre Gian Luigi Longinotti-Buitoni
Empresário italiano, durante a década
de 80, foi presidente executivo da indústria
de alimento Buitoni-Perugina (fábrica de massas
e chocolates) e de 1992 a 2000 dirigiu a Ferrari Norte
Americana. Vendendo sonho da velocidade.
Escreveu os livro “Vendendo Sonhos” e “Como deixar
qualquer produto irresistível”.
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