|
|
"Ikat Color Blend"
na cerâmica plástica
Por Beatriz Cominatto - Fimo
Designer
Envie seu e-mail com sugestões para: beatriz@beatrizcominatto.com
|
| **As imagens e texto desta coluna são de
propriedade da artesã e sua empresa. Cópias e
utilização deste material em outros sites sem
autorização da proprietária e do Portal
das Jóias estão proibidas** |
|
|
Motivos étnicos estão na moda. Interessantes
efeitos de tramas e cores, de tradicionais métodos de
tecelagem e estamparia artesanal, estão sendo reproduzidos
industrialmente em materiais e técnicas da estaparia
moderna. Neste verão 2005/2006, até em coleções
de moda praia, tais efeitos foram copiados. Ou seja, copiaram
os “desenhos”, apenas a aparência final de algumas características
das técnicas, mas não a maneira tradicional de
como são feitas por povos de diversas localidades do
planeta.
O IKAT é uma delas.
É uma antiga técnica de tecelagem
artesanal. Sua origem ainda é um pouco incerta,
alguns acreditam ser da Indonésia e outros, da Índia.
Mas até mesmo na era pré-colombiana, na américa
do Sul e Central, a técnica já era utilizada. |
|
Sua característica
principal, é o tingimento dos fios (de seda, linho
ou algodão) antes de serem tecidos. Para isso, são
amarrados em nós, encerados ou colocados dentro de
tubos isolantes. Após o tingimento, são desamarrados
e, em determinadas áreas, os fios adquirem colorações
diferentes ou mesmo áreas sem tingimento algum. O processo
é repetido inúmeras vezes para cores adicionais.
Somente depois disso os fios estão preparados para
irem ao tear. É um trabalho bastante demorado, minuncioso
e de resultado muito colorido.
Também muito utilizado na tecelagem dos saris (vestimenta
típica indiana), onde uma mulher de classe média,
possue ao menos 100 deles. |
|
|
|
Famílias inteiras passam
a vida ao redor do tecer. Existem estilos diferentes de IKATS,
e isso varia muito de um país ao outro, ou mesmo apenas
entre regiões. Costumam ser relacionados a status,
poder e prestígio. Motivos ligados à cultura
da região também costumam ser empregados. Alguns
povos ainda acreditam nos "poderes mágicos"
de tais tecidos (talvez por dedicarem tempo enorme e precioso
de suas vidas na confecção de uma única
peça). Também é utilizado na decoração.
Um IKAT é exclusivo,
nunca haverá outro igual.
Como não poderia deixar de ser, o aspecto dessa trama
foi reproduzido na cerâmica plástica. Mas aqui
no Brasil, o IKAT praticamente
não era conhecido nesse material.
|
| Mas neste final de ano, na última
reunião do CDCP
- Clube da Cerâmica Plástica (ao qual faço
parte), em primeira mão experimentamos juntos a nova
técnica, baseados em um livro que Mônica
Girard gentilmente nos levou e traduziu. Cada membro do
grupo levou um skinner blend
(degradê) bem colorido e não muito uniforme.
Em conjunto, cada participante foi fazendo o seu, e se surpreendendo
com os resultados e possibilidades. |
|
|
|
Seccionamos transversalmente o skinner
e empilhamos as partes formando um só bloco, que
depois de fatiado, foi aplicado sobre uma massa de cor única.
Depois de modelada a peça, efeitos podem ser adicionados,
como pinturas com tintas líquidas, pigmentos em pó,
ou mesmo aplicação de emboss ou outra tinta
dimencional.
|
| O resultado realmente é
bonito, mas o mais marcante nisso, é a gostosa sensação
da força e união do trabalho em grupo, onde
cada um tem muito a somar e a dividir. É a gratificante
troca de experiências, fortalecendo e incentivando a
todos. Acho que “viramos” o ano com chave de ouro!
A maioria das peças de IKAT
que aqui apresento, são de algumas de minhas parceiras
do Clube, que gentilmente cederam para esta matéria. |
|
| (autoria do texto: Beatriz Cominatto) |
|