"Maria Inês Bonagura"
Designer de acessórios


E-mail: mibsasha@uol.com.br

Sou arquiteta, com doutorado na área de arquitetura hoteleira, hoje atuando como empresária na área de administração de condomínios. Meus amigos me chamam de MIB, iniciais do meu nome. Conheci a cerâmica plástica em 2004 e fiquei fascinada com a variedade de aplicações que essa massinha possui. Logo percebi que era o que estava procurando, uma vez que já tinha atuado em várias áreas do artesanato e somente o mosaico havia me fascinado. Era o que eu queria para preencher minhas horas livres, pois desde que minhas cachorras deixaram de praticar agility (saiba mais em www.agiliteiros.com), precisava de uma atividade que me proporcionasse prazer. Resolvi, então, criar a mib&sasha arte design.

Portal das Jóias: Você é arquiteta por formação.
Conte-nos um pouco sobre você e a arquitetura.

MIB: Assim que me formei na Faculdade de Arquitetura Mackenzie, onde minha tese de formatura foi sobre arquitetura hoteleira, resolvi passar um tempo em Madrid, onde fiz doutorado nesta área. A Espanha recebe mais turistas do que o número de habitantes do país e com isso nesta área se destaca mundialmente. Quando retornei ao Brasil porém, o país estava passando por momentos de crise e os empregos dentro da construção civil eram muito escassos. Durante alguns anos projetei residências, executei reformas em imóveis comerciais e implantei sistemas de segurança para edifícios, quando então, comecei a atuar na área de administração de condomínios, minha principal atividade atual.

Portal das Jóias: Fale-nos um pouco do seu amor pelos cães e o que vem a ser agility.
MIB: Desde pequena sempre tive animais de estimação, de pássaros a cabras, coelhos, porquinhos da índia, ratos brancos, etc. Morando nos Jardins, próximo a Rua Augusta, era muito engraçado ter esses animais em casa e passear com eles na rua. Quando completei 10 anos ganhei meu primeiro cão e desde então, sou apaixonada por esses peludos. Hoje tenho 3 deles em minha companhia, sendo Sasha (labradora-12 anos), Melody (beagle-15 anos) e Rebeca (border collie - 7 anos). Até a Sasha completar 08 anos, praticávamos agility, um esporte que surgiu em 1978 na Inglaterra, mas que só veio para o Brasil em 1996. Baseado em provas hípicas e criado para distrair as pessoas nos intervalos das competições do Crufts, uma das maiores do mundo em beleza e estrutura, o agility é um esporte onde o cão e seu dono devem completar, no menor tempo e com o menor número de faltas, um percurso com obstáculos. Sou apaixonada até hoje por este esporte, mas como somente poderia praticá-lo com a Rebeca, optei pela natação, onde as três podem se divertir juntas. Isso exige muito menos tempo da minha parte, pois os cães nascem sabendo nadar e não precisam de treino para isso. Então basta eu levá-las ao clube e soltá-las na área da piscina. Já o agility exigia horas de treino durante a semana e viagens para competições quase todos os finais de semana. Com isso tive que procurar outras atividades para mim, voltando-me novamente para o artesanato.

Portal das Jóias: Quando foi que você se sentiu interessada por trabalhos manuais como o artesanato, e quais as técnicas que mais lhe agradam?
MIB: Desde pequena fui acostumada pelos meus pais a fazer trabalhos manuais de todos os tipos. Com meu pai fiz muitos barcos, aviões, carrinhos... pintei móveis.... construí casinhas para meus passarinhos. Com minha mãe fiz muito tricô, crochê e bijuterias. Sempre gostei de trabalhos manuais. Depois que eles morreram, tive que trabalhar muito para colocar as finanças em ordem e não tive muito tempo para o artesanato. Voltei para a área depois de uns 10 anos e adorava fazer ponto cruz. Fiz diversos quadros para a minha casa. Quando conheci o agility parei com tudo, pois o meu trabalho e o esporte não me deixavam tempo livre. Voltei há cerca de 4 anos, quando conheci o mosaico e me apaixonei.

Portal das Jóias: O que significou essa mudança de área de atuação para você? Você fez muitos cursos?
MIB: Na realidade essa mudança do agility para o artesanato se deu de uma forma lenta, pois mesmo depois de deixar de praticá-lo com a Sasha, ainda ia de vez em quando com a Rebeca. Mas com o tempo percebi que isso não estava fazendo bem as minhas cachorras e procurei um curso de mosaico. Fiz o curso com a Marcela Muñoz, visitei diversos ateliês, conheci muita gente talentosa e o meu sonho, quando me aposentar, é ir para a Itália fazer um curso de mosaico bizantino. Na procura de materiais alternativos para o mosaico, um dia coloquei num site de busca a palavra “millefiori” e o primeiro site que apareceu foi o da Beatriz Cominatto. Gostei das peças que vi, mas não tinha a menor idéia do que era cerâmica plástica. Marquei uma aula em junho de 2004 e estou nessa área até hoje.

Portal das Jóias: Qual é a maior dificuldade que um artesão encontra hoje no mercado de trabalho?
MIB: Eu acho que a maior dificuldade está em viabilizar seu trabalho financeiramente. O artesanato não é valorizado no Brasil e, em nível de exportações, sempre ganha a pessoa que importa e não a que faz. O que vemos do Brasil na Europa, são artesanatos criados por comunidades carentes, que recebem orientação para criar uma cooperativa e conseguem vender sua produção por preços muito abaixo do mercado e que serão comercializados em outros países pelo seu real valor.

Portal das Jóias: Fale-nos um pouco sobre a arte do mosaico. Suas técnicas e materiais.
MIB: O mosaico é a arte da paciência. É juntar cacos para formar algo harmonioso e belo. Eu gosto muito de trabalhar com o mosaico indireto, que é na realidade, fazer o trabalho pelo avesso. Acho lindo ir colocando as peças pelo lado oposto e descobrir como ficou bonito depois que é colado em uma mesa, painel ou mesmo numa simples caixinha. O mosaico direto eu fiz para completar alguns projetos de paisagismo para amigos, onde os vasos ficavam por minha conta. Infelizmente, não fotografei na época, esses trabalhos.

Portal das Jóias: Você trabalha com material alternativo? Fale-nos um pouco sobre esse tipo de trabalho?
MIB: No mosaico, não cheguei a trabalhar com materiais alternativos. Quando estava começando a pesquisar a esse respeito, conheci a cerâmica plástica e acabei abandonando o mosaico, pelo menos temporariamente. O mosaico requer mais tempo e mais espaço. Hoje crio bijuterias em cerâmica plástica, tenho o meu próprio site de vendas para poder vender minha produção.

Portal das Jóias: O que você acha da internet hoje, e em sua opinião o que ela influencia para o mercado de artesanato?
MIB: A Internet, se não é hoje, será, em breve, o meio de comunicação mais importante em todos os sentidos, inclusive em vendas e divulgação de trabalhos. Além disso, ela é uma fonte infindável para pesquisa de novas técnicas e novos materiais.
Portal das Jóias: Que tipo de trabalho você desenvolve hoje? Qual é o seu diferencial e para que tipo de público você direciona seu trabalho?
MIB: Hoje trabalho apenas com cerâmica plástica, na confecção de acessórios de moda exclusivos, peças para scrapbooking, para pessoas que apreciam este tipo de trabalho. Minhas peças atendem tanto o público jovem, como o pessoal da terceira idade. Estou desenvolvendo uma linha pet, mas ela ainda está apenas no papel. Como minhas peças são divulgadas no meu site, meu público alvo é o universo de internautas.

Portal das Jóias: Em sua opinião dá para viver hoje do artesanato? Como você divulga e vende seu trabalho?
MIB: Acho muito difícil. O mercado hoje está mais propício para quem dá aulas de artesanato, do que para quem cria as peças. Se eu for fazer um balanço dos e-mails que recebo sobre os meus trabalhos, acho que não me surpreenderia se a quantidade de pessoas solicitando aulas, fosse maior do que aquelas que adquirem objetos. Divulgo e vendo meus trabalhos através do meu site. Apesar de estar há poucos meses no ar, já possibilitou vários contatos com pessoas do Brasil, Europa e Estados Unidos, razão pela qual decidi fazer sua versão em inglês, que deverá estar no ar nas próximas semanas. Com isto espero ampliar as vendas.

Portal das Jóias: Feiras, você frequenta e participa? Qual sua opinião hoje sobre a influencia das feiras e eventos no segmento de artesanato para o artesão?
MIB: Participei apenas de uma feira, de scrapbooking, mas acredito que as demais não são diferentes. É muito dispendioso para o pequeno artesão, participar de feiras e obter delas o retorno financeiro desejado, pelo menos para cobrir os custos. Acredito que as feiras são muito adequadas para fabricantes de materiais de artesanato, grandes lojas e para pessoas que se unem em cooperativas. Individualmente, não acho que feiras sejam um segmento apropriado para pessoas que tenham uma produção pequena. Isto, se estivermos falando de grandes feiras realizadas em pavilhões de exposições. Já as feiras de artesanato, dedicadas exclusivamente à venda de peças artesanais prontas, como é o caso de Embu das Artes, alguns shoppings, Praça Benedito Calixto, MASP, etc, dependendo do tipo de artesanato apresentado, são viáveis, mesmo porque são dirigidas apenas à comercialização de objetos de arte.

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