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Caio Alonso Mourão
nasceu em 1933,
viveu em São Paulo até 1957. Foi aluno de Aldo
Bonadei e colaborador
de Antonio Bandeira
e Di
Cavalcanti em vários
painéis. Pintor
e desenhista,
expõe na II
Bienal de São Paulo.
Em 1956 inicia-se em Joalheria.
Em 1957 muda-se para o Rio de Janeiro e se torna carioca por
adoção. Em 1959 participa da criação
da revista
Senhor.
Em 1963 ganha o 1º prêmio internacional de Joalheria
na VII Bienal de São Paulo.
Em 1968 viaja para Paris
a convite de Pierre
Cardin e lá
trabalha cono designer
de jóias.
Um ano depois vai lecionar design em Portugal, convidado pelo
Ministério dos Estrangeiros. Com os portugueses aprende
técnicas de fundição e prataria pesada. |
| De volta
ao Brasil, no fim de 1969, começa a abrir caminho para
o que veio a se chamar
joalheria de autor.
Ao longo de sua carreira, realizou diversos troféus:
"Gaivota de
Ouro", dos
festivais internacionais de canção (1970) e,
paralelamente, o troféu sátira "Urubu
de Prata",
concebido em parceria com o humorista Henfil (1971), e prêmio
"Shell de MPB"
(desde 1981). Em 1980, além da prata
e do ouro,
começa a utilizar aço
e imãs,
criando suas esculturas
móveis.
A partir de 1994, sua obra ganha novas dimensões, com
peças de aço
inox e ferro
trabalhados com solda
elétrica,
que chegam a 3 metros de altura. Atualmente, divide seu tempo
entre o atelier de jóias
em Ipanema
e o de Iguaba Grande,
onde executa fundições
e esculturas. |
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Portal
das Jóias: Como pintor, desenhista e escultor
(conte um pouco de sua história) como foi o início
de sua carreira como designer/joalheiro e quando você
percebeu que se tornaria um?
Caio Mourão:
Percebi tudo quando fiz a primeira jóia
de cobre, com o auxílio de uma chave de fenda, um
martelo e uma tesoura de chapa. Quando terminada como eu
pretendia descobri algo novo. Neste momento, resolvi mesmo
me dedicar às jóias, deixando de lado a pintura,
pois entendi a pintura uma arte muito externa, longe, na
parede, enquanto uma jóia é mais intima, uma
arte corporal mais que, agregada ao corpo, viveria e dormiria
com as pessoas, passando a ser uma parte desta. Assim, mudei
de time.
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Portal
das Jóias: Você trabalhou em Paris como
designer de jóias com Pierre Cardin. Conte-nos como
foi essa experiência e qual o trabalho desenvolvido?
Caio Mourão:
Ele estava realizando a sua "Fase Espacial"
que, por coincidência, também era a minha,
pois, na época, se dava muito ênfase ao espaço
e seu desbravamento. Fizemos contacto via modelo Duda Cavalcanti,
que possuía uma pulseira minha e desfilava para ele
em Paris.
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Ele gostou, estava com desfile marcado
na Fenit, em Sampa, nos encontramos na véspera e
conjugamos as jóias que eu tinha com seus modelos.
Foi um grande sucesso, pois, devido ao mesmo tema, parecia
que havíamos trabalhado junto desde o começo
da linha. Depois fui para Paris, desenhei mais algumas peças
para Cardin, mas depois parti para solo. Isto foi em 1967-68.
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Portal
das Jóias: Você lecionou um bom tempo
no exterior de onde aprendeu algumas técnicas em
joalheria. Conte um pouco sobre essa experiência
Caio Mourão:
Lecionei em Portugal em 1969-70, pois tinham e têm
um excelente conhecimento de joalheria e da prataria. Porém,
estavam meio parados dentro das realizações
artísticas. Uns 40 anos atrasados (era uma ditadura).
Minha função era dar uma sacudida nos joalheiros
e fazer com que assumissem a modernidade. Coisa que consegui
com os jovens somente. Mas aproveitei minha estada por lá
e aprendi a trabalhar com prataria pesada, como lá
chamam as baixelas, talheres, castiçais, tocheiros,
salvas etc. Foi uma experiência que me ajudou muitíssimo,
e também me fez encontrar soluções
para a joalheria.
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Portal
das Jóias:
Analisando o
mercado atual, quais os principais fatores que levam um
designer de jóias à posição
de destaque?
Caio Mourão:
Sua pergunta
é perigosa, pois hoje em dia o talento é o
forte, mas uma mídia bem feita e uma boa divulgação
fazem até um "Bam-bam-BB" ficar famoso.
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Portal das Jóias:
Atualmente, você
considera o design brasileiro competitivo ao mercado externo?
Como você vê o desenvolvimento do setor no Brasil
nos últimos cinco anos?
Caio Mourão:
Poderia ser melhor
se não se deixasse levar pelos diamantes e concursos
e se ficassem na nossa onda, deixando a onda de lá
para os de lá. Poderemos e já fizemos maravilhas
com esmeraldas, águas marinhas e outras pedras que
possuímos, e devemos, por certo, difundir, como os
outros designers estrangeiros fazem com as pedras de sua
"escuderia".
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Portal
das Jóias: Você
é pioneiro no Brasil, em se tratando de algumas técnicas
utilizadas no desenvolvimento e criação de jóias
(joalheria de autor). Quais são elas?
Caio Mourão:
A técnica
é esta: Não existe técnica. Remar contra
a correnteza e os lugares comuns. Devem realizar um desenho
seu, com seus sentimentos, com o material que você escolheu,
pode ser até prego de ferradura enferrujado, mas, se
for feito com carinho e bem trabalhado irá ter seus
admiradores.
O designer, hoje, deveria usar tapa-olhos como o dos cavalos,
e só olhar para frente. Nada de colar do colega da
carteira do lado. Em suma, evitar modismos e fazer algo próprio.
É mais difícil, mas uma vez lá, ninguém
"derruba". |
Portal das Jóias:
Joalheria e Tendência
de Moda andam juntos? E o que fazer com as jóias da
"vovó"?
Caio Mourão:
Sim. Devem fazer
isto à medida que se completem. Posso fazer um colar
para um vestido. Mas sempre espero que o costureiro também
faça um vestido para meu colar. Depende do gosto e
do dinheiro do vovó. Ou coleção ou fundição. |
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Portal
das Jóias:
Depois de tantos
anos de profissão e acompanhando um segmento que
se moderniza a todo instante, como profissional joalheiro
hoje o que mais lhe dá prazer?
Caio Mourão:
Transformar jóias
abstratas que fiz anos passados em esculturas de dois metros
de altura. E ver que pequenas formas como anéis ou
esculturas do tamanho de uma mulher estão equilibradas
e me dão aquela sensação de missão
cumprida. Depois sento na bancada e faço um novo
anel, para que tudo possa recomeçar...
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Portal das Jóias:
Na sua opinião,
se você estivesse começando hoje no setor, quais
as maiores dificuldades que encontraria?
Caio Mourão:
Mudam os tempos
e os maçaricos, eu comecei com um de pé, depois
assoprava, hoje tem gás e já com pressão.
Fora do atelier é o mesmo de sempre. Enfrentar e colocar
suas peças. E quanto mais autênticas elas forem,
mais fácil defendê-las e colocá-las. |
Portal das Jóias:
O que você
tem a dizer ao profissional que está ingressando hoje
nesse mercado?
Caio Mourão:
Não olhe
para o lado, tire seus desenhos de dentro de você, realize
a peça com carinho e cuidado. E olhe só para
frente, nunca para os lados. |
Por Caio Mourão
E-mail: mourao@redelagos.com.br
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