A Moda, o Fetiche e a Sensualidade na Mulher do III Milênio
Que tipo de mulher é você???
Menina mulher, sexy hot ou clássica básica...


Menina Mulher

Existe hoje, um direcionamento do mercado voltado para a exploração na Moda Feminina de elementos do submundo erótico. Cinta liga, corselet, veludo, renda, couro, salto agulha e demais ícones da moda-fetiche visitam nossas vitrines todos os dias, e as práticas sexuais secretas se tornam menos secretas a cada minuto. Esse comportamento se inicia a partir da década de 70, quando as imagens de "perversões sexuais" e seus acessórios foram reavaliados e inseridos num contexto cotidiano e, como seus elementos nem sempre são bem compreendidos, mas certamente povoam o imaginário sexual de todos nós, cabe uma pequena reflexão sobre o assunto.
Sendo o sexo a temática que mais se explora e se mostra explicitamente na mídia, sentimos uma necessidade de compreender um pouco mais a dinâmica que o envolve e o relaciona com a moda numa cronologia simplificada que acompanha o homem, a mulher e a sensualidade.
Desde que Eva no Paraíso lançou a tendência "Folha de Parreira", as calcinhas surgiram em todos os tamanhos e tipos de matérias primas, explorando a criatividade de seus criadores e a ousadia de suas usuárias (ou usuários, quem sabe...). Tecidos naturais, sintéticos, não-tecidos, tudo vale.
Desde a suave e delicada renda até o frio metal (qual a mulher que não conhece os cintos de castidade, as calcinhas da idade média, que foram o nosso terror, a segurança dos maridos e a alegria dos chaveiros?).
Num salto no tempo, voltamos para o século passado e vamos começar pelos Anos Loucos, a década de 20, quando foi inventado o sutiã: nesse momento, o seio não é considerado ainda como objeto de desejo, nem sequer é um tabu. A calcinha é uma estrela. A simples possibilidade de vislumbrá-la é um momento altamente erótico. Nos anos 30, vem o sutiã estruturado em cone, expondo um seio pontudo, agressivo e revelador com seus mamilos imperiosos, reproduzindo o início do desejo de libertação e valorização da mulher. São tempos de conquistas femininas. Mulheres votam e fumam. Nos anos 40 e 50 eles ganham ainda mais estrutura, formato em espiral e muitos prespontos. São mais poderosos do que antes. Os seios ganham espaço, principalmente na sociedade americana e são amplamente difundidos pela indústria do cinema da época. Os figurinos de então, marcam a cintura e os projetam em modelagens elaboradas especialmente para isso. A guerra coloca as mulheres em postos de trabalho antes ocupados somente pelos homens. A roupa deve ser econômica, prática e ao mesmo tempo feminina.
 

Hot-sexy


Clássica básica

  A invenção da lycra acontece nos anos 60, e a moda íntima do período privilegia o conforto e a praticidade, um resultado explícito da nova mulher, que "trabalha fora" e não tem tempo. O sutiã e a calcinha perdem um pouco de seu glamour e o sutiã, especialmente, vai perdê-lo totalmente nos anos 70, quando se torna o símbolo da injusta supremacia masculina e será impiedosamente queimado em praça pública. A partir daí, somente com a conquista feminina da "relativa" igualdade de direitos, a moda íntima retoma seu status anterior e nos anos 80 aparece com toda força através da pop star Madonna em sua turnê internacional, com modelos desenvolvidos especialmente para ela pelo fashion designer Jean Paul Gaultier, inspirados nos sutiãs cone dos anos 40 e 50. Observamos então, uma inversão de valores, que nos acompanha desde então. A mulher assume o domínio, ou aparenta assumir, produzindo uma revolução social, e reflete seu comportamento utilizando alguns elementos da Moda Fetiche para expor sua porção "Dominatrix", por outro lado se injeta o polêmico silicone para atender aos novos desejos masculinos.
A reflexão aqui então, é: se essa porção "Dominatrix" é verdadeira e refletida, ou não. Afinal, nossa Moda Íntima deve ser um reflexo de nossas convicções e não apenas um ciclo de tendência e compra, consumo e consumidor e dominado e dominante. Eu e você , como seres humanos, vestimos o que somos e pensamos, sempre!

Então, podemos concluir que a Moda Íntima acompanha e representa nossa trajetória através dos tempos e observando-a, veremos quem fomos no passado, quem somos hoje e talvez possamos definir quem queremos ser ou parecer ser no futuro. O que representam esses excessos de cordões, amarrações, arames, estruturas rígidas na nossa Lingerie? Sensualidade assumida ou repressão extrema? Ataque ou defesa? A libertação ou aprisionamento das expressões do novíssimo poder feminino?
O que tentamos projetar através de nossas roupas íntimas para o nosso parceiro a respeito de nós mesmas?
E você, que tipo de mulher é nesse contexto?

Estamos em Junho, o Mês dos Namorados, o melhor momento para pensarmos sobre isso e escolhermos com muito cuidado e carinho o que vamos usar na especialíssima noite do dia 12 de Junho.

Por Mábel De Bonis - Consultora de Moda e Tendência
Mábel é nossa consultora para esta coluna: http://www.portaldasjoias.com.br/consultoria
E-mail: institutoincep@uol.com.br

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