"O LÁPIS-LAZÚLI"
Por Pércio de Moraes Branco - Geólogo
e-mail: museugeo@pa.cprm.gov.br

Uma das gemas mais tradicionais, o lápis-lazúli é usado há séculos para adorno pessoal. Ele é citado em lendas babilônicas de 3.000 anos antes de Cristo e foi usado na máscara mortuária do imperador egípcio Tutancâmon. As mulheres da aristocracia egípcia da época o usavam na forma de pó, para pintar os olhos. Os romanos o chamavam de safira, e é assim que é citado na Bíblia.
Antes de tudo, é bom esclarecer que a pronúncia e a grafia corretas são as que estão no título. Está errada, portanto a pronúncia lápis-lázuli, embora ela seja correta em espanhol.
Ao contrário da grande maioria das gemas, o lápis-lazúli é uma rocha, não um mineral. Isso porque se trata, na verdade, de uma associação de minerais, principalmente lazurita e calcita, com hauynita, pirita e sodalita e menor quantidade de outras espécies.
Como a lazurita, a sodalita e a hauynita têm cor azul, esta é a cor que predomina na gema. As manchas brancas, indesejáveis, são de calcita. A pirita forma pontos amarelos, de brilho metálico, e é um bom meio de identificar o verdadeiro lápis-lazúli.


O lápis-lazúli de melhor qualidade é o lápis-russo (ou lápis-do-afeganistão) produzido em Badakshan (Afeganistão), mas a gema é produzida também no Chile, Irã, Rússia e EUA. A lazulita assemelha-se muito a ele e é usada como substituto.
O lápis-lazúli é sintetizado desde 1976 (Gilson) com muita perfeição, podendo ser extremamente difícil diferenciá-lo do natural. Lápis-lazúli natural pode ser confundido também com azurita, lazurita, sodalita e dumortierita.
É possível obter lápis-lazúli reconstituído, pela aglomeração de fragmentos de material natural com plásticos.
As jóias com lápis-lazúli devem ser protegidas contra a ação de ácidos, sabões e água quente.

Fotos extraídas de:
Escultura em lápis-lazúli – foto do site www.palagems.com/ lapis_lazuli_bancroft.htm
Lápis-lazúli.jpg – peças de lápis-lazúli brutas e lapidadas, de diversos países (Foto extraída do livro Gemas do Mundo de Walter Schumann)

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