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O consumo
de jóias
é um sistema de significação
e a principal necessidade suprida é a simbólica.
Através do consumo podem-se traduzir boa parte
das relações sociais e experiências
de subjetividade e, dessa forma, criar um sistema
de classificação de coisas e pessoas,
indivíduos e grupos. (Rocha, 2000)
Para Veblen, criador do conceito de consumo
conspícuo, o objetivo do consumo não
estaria em desfrutar da qualidade dos objetos e sim
em exibi-los como um sinal de distinção
e de status. Veblen aponta o consumo como forma de
comunicação e portanto trata do consumo
como um indexador simbólico (Veblen, 1965).
Status porque, de fato, os produtos de luxo servem
a uma busca de distinção e reconhecimento
social (Strehlau, Aranha, 2002).
Portanto, a necessidade de comprar uma jóia,
não é a necessidade de ter um objeto
de valor, mas a necessidade de diferenciação.
Assim, se compreende porque é que nunca existe
satisfação completa, nem uma única
definição de necessidade (Baudrillard,
1981).
Gatard (1991) afirma que, no universo do luxo, o
objeto apresenta um valor intrínseco efêmero
sendo menos importante que o significado, ou seja,
o significado é mais importante que sua utilidade,
função e valor monetário.
Dessa forma, Michael Porter desenvolveu uma classificação
de estratégias genéricas com as quais
uma empresa pode competir no mercado. Dentro delas,
podemos destacar a diferenciação e focalização
quando se diz respeito a produtos de luxo.
O autor afirma que estas estratégias são
de vitória, e ainda propõe uma quarta
estratégia, que consiste no meio-termo. É
preciso administrar toda a cadeia de valores da empresa,
suas atividades primárias e de apoio, de forma
a sustentar a opção estratégica
estabelecida na busca de uma vantagem competitiva
- quer sejam serviços melhores, mais especializados
ou mais caros, sempre sob a ótica do cliente.
(Porter, 1992)
Na classificação de Kotler (1991) e
Armstrong (2003), a joalheria enquadra-se como bem
de especialidade porque apresenta características
únicas: um produto de luxo
tem algo especial e portanto suas atividades gerenciais
de marketing também devem ser únicas,
especificas e direcionadas.
As empresas que vendem artigos de luxo
no Brasil compõem um nicho para poucos. Trabalhar
com um público de alto poder aquisitivo exige,
além de um produto de qualidade impecável,
estratégias segmentadas, diferenciadas e atrativas.
E assim como o potencial de compra desse tipo de consumidor
é elevado, seu nível de exigência
também o é. O consumidor está
mais consciente e cada vez mais informado e portanto,
o ciclo de vida dos produtos cada vez mais curto,
inclusive o dos produtos de luxo
que deveriam ser “eternos”.
Vemos que, para os produtos de luxo continuem com
força no mercado e para que seu ciclo de vida
seja longo, como esperado, a tendência é
que novas estratégias sejam consideradas.
Fontes: Armstrong, Baudrillard,
D´Angelo, Gatard, Kotler, Rocha, Strehlau, Veblen.
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