Sempre gostei de transformar
coisas simples em algo que tivesse propósito.
É mais ou menos como a mágica da culinária,
que transforma farinha e açúcar em bolo,
cujo propósito é servir de alimento.
O artesanato na minha vida surgiu assim, da vontade
de transformar meus dias simples em dias especiais.
Sou apaixonada por artesanato desde que me entendo
por gente... quando criança, fazia roupas pras
minhas bonecas de papel, assim como casinhas de papel.
Depois, já adolescente, fiz cursos do SENAC
por correspondência, e me lembro em particular
do curso de letrista, que ensinava a escrever em várias
superfícies, inclusive pano. Também
era leitora da antiga Faça Fácil e acabei
aprendendo a fazer cartões de papel vegetal
e aqueles em 3D, que saltam o miolo quando são
abertos... foi quando tudo começou... |
Eu já tinha uns 15 anos e queria entrar
pro mundo dos negócios... pedi ao meu pai
que levasse pra seu escritório meus cartões,
pra tentar vendê-los. Deu certo e comecei
a fazer também marcadores de livros. Fiz
umas aulas de bordado em ponto cruz na Casa Arthur,
sempre gostei de misturar tudo, de experimentar.
Minha avó materna era costureira e dizia
que eu levava jeito. Comecei costurando as barrinhas
dos panos pra bordar...Eu fiz segundo grau técnico
em turismo, e isso me deu a minha profissão.
Com 17 anos comecei a trabalhar em uma agência
e as oportunidades de viagem surgiram uma após
a outra. Pronto: meu mundo se ampliou de vez !!!!
Fui passeando pelo mundo e conhecendo novos artesanatos.
Queria fazer tudo quando chegasse em casa !
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E em 2002 fui trabalhar
em um agência cuja proprietárias eram
meninas chiques. Duas irmãs, Anjinho e Gigi.
Um dia, um colar da Anjinho arrebentou e como eu sempre
ajeitava tudo pelo escritório, ela resolveu
me pedir pra consertar. Nós trabalhávamos
em uma das ruas do famoso Sahara aqui do Rio, e foi
fácil encontrar o material para o renascimento
daquele colar e surgimento dos próximos mil
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Começamos montando colares de murano. Em
pouco tempo, a gente vendia mais colar que viagem,
era uma delícia !!!!
Colocamos as peças pra vender em um hotel
em Búzios, e o sucesso veio imediatamente.
Mas não encontrávamos as peças
que queríamos, no formato, cor, e tamanho
que atendessem à nossa imaginação...
foi quando a Gigi em 2004, muito curiosa e poderosa,
descobriu a massa FIMO.
Compramos um monte de bloquinhos de FIMO. Fomos
pra casa da Anjinho e começamos a tentar
mexer na massa... nossa, foi um desastre ! Não
tínhamos idéia de nada e produzimos
as peças mais horrorosas que eu já
vi ! Voltamos à loja e perguntamos se havia
alguém que pudesse nos dar aula.
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Foi quando conheci a Karini Pires, uma mineira
muito talentosa, que já trabalha com a massa
há 10 anos. Fui pra sua casa à noite
(ela mora no Rio há algum tempo) e arrastei
comigo meu marido pra ter aula, assim, ele poderia
me ajudar caso eu esquecesse alguma coisa depois,
tentando refazer a técnica de millefiori.
Com uma aula, tudo mudou. Fui colocando a mão
na massa literalmente (adoro essa expressão
pra falar de cerâmica plástica), comprando
livros e ouvindo muito as broncas do meu marido,
que é arquiteto e japonês, fera em
maquetes, ou seja, o rei do detalhe! Fui estudando
a mistura das cores, passei a usar luvas pra não
deixar impressão digital, a buscar formas
mais perfeitas... eu testo todas as peças
antes de vender, pra ter certeza que estão
confortáveis, no tamanho apropriado.
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Desenvolvi uma pecinha em massa pra colocar no
final do colar, e assim equilibrar o peso da peça
no pescoço.
Eu produzo minhas peças em casa, depois do
trabalho ou nos finais de semana. Mês passado
ganhei um quarto novinho, planejado especialmente
para estimular minha criatividade, só para
poder “brincar de massinha”, repleto de materiais
para artesanato e fotos das pessoas importantes
na minha vida, que me inspiram.
No começo, minhas peças agradavam
mais as adolescentes, porque a massa é bem
colorida e a garotada adora.
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As cores chamam
a atenção dos olhos. Mas hoje, consegui
conquistar minha mãe e suas amigas, com peças
mais modernas e chiques. Eu expus em algumas feiras
no ano passado, o que é bem legal pra divulgar
o trabalho e também pra ouvir o que as mulheres
buscam quando compram uma bijuteria. Mas a maior parte
das vendas acontece através de alguém
que viu uma peça em outro alguém ou
ganhou de presente, ou seja, indicação,
que pra mim, é o melhor marketing. O maior
desafio é criar peças masculinas. |
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A cerâmica plástica
conquista pela versatilidade. Minha irmã mais
velha acha o máximo chegar na minha casa com
uma idéia e sair de lá com um colar
no pescoço. Ela vai dizendo o que quer e eu
vou misturando, cortando e moldando, até surgir
uma peça exclusiva.
No ano passado, 2005, comecei a me profissionalizar,
apesar de não ter deixado meu trabalho em turismo
de lado. Desenhei o rosto da Hello Kitty na massa,
em millefiori, porque esse foi o tema escolhido por
minha sobrinha para sua festa de aniversário,
e quis fazer os brindes de acordo com a personagem.
Muita gente me pergunta como pude colocar a Hello
Kitty dentro daquele caninho. Não sei ! Eu
sou super frustrada por só saber desenhar casinha
e bonequinha palito... com a cerâmica plástica
eu posso tudo, escrever e até desenhar. Realizo
projetos que nunca consegui através de outros
materiais. Em dezembro, tive uma peça fotografada
pela revista Claudia.
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Nossa, foi uma delícia ver meu trabalho
publicado em tiragem nacional ! Foi quando surgiu
a necessidade de ter um site.
( www.byrhet.com
)
Não apenas para alcançar um público
maior, mas principalmente para mostrar a versatilidade
da cerâmica. Além das bijuterias, publiquei
fotos de garrafas, potes, chaveiros e bonecos. O
projeto do site ainda está crescendo, pois
resolvi estudar web designer e programação
pra poder ter uma página que fosse realmente
a minha cara.
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Eu gosto muito de me envolver em cada projeto
que idealizo.
Além das peças prontas, vendo entremeios
pra quem monta bijuterias e dou aulas. Sou formada
em Letras e apesar de não exercer a profissão,
adoro passar adiante meus segredos, compartilhar
conhecimento.
Acredito que cada um tem o seu estilo de criação,
e nunca um trabalho vai ficar igual ao de outra
pessoa.
As idéias para as peças surgem simplesmente.
É uma mistura de inspiração
e seleção daquilo que absorvo pela
vida. Eu me sento e vou brincando com a massa. A
cerâmica plástica me dá a possibilidade
não apenas de realizar as minhas idéias,
mas de alcançar os outros, entrar pela vida
deles e fazer parte.
Eu sempre gostei de presentear as pessoas com coisas
especiais e únicas, por isso o artesanato
sempre me foi muito útil. Não apenas
como ócio criativo, mas principalmente por
me permitir dar um pedaço de mim pra alguém
que eu gosto. E a cerâmica plástica
me permite ser exclusiva e versátil. Cada
peça que eu produzo é única,
assim como a pessoa que a recebe de presente ou
compra.
Meu colar para a Copa do Mundo surgiu da história
da minha vida. Confeccionei a bandeira dos países
com os quais tenho afinidade, para que junto ao
Brasil, representassem meus antepassados, minha
família, meus amigos e meu amor por viagens.
É uma homenagem às pessoas e lugares
que visitei e que fizeram de mim o que sou.
Hoje eu “brinco” também de decoupage, velas,
costura... gosto de transitar de um mundo para o
outro, misturar os materiais à cerâmica.
Faço caixas e velas com aplicações
de FIMO e coloco botões de massa nas minhas
roupas. Outro dia, estava saindo de casa e o botão
da calça jeans caiu. Imagina, como eu ia
substituir aquilo ? Nem pensei duas vezes, peguei
uma pecinha já assada de FIMO e costurei
no lugar. Ficou tão legal, que o que era
provisório virou permanente. Assim como a
massa na minha vida já é permanente,
porque tudo o que penso em criar, ela me permite
e vai além. Eu sou apaixonada por esse material.
E nada melhor que fazer coisas pelas quais você
é apaixonada...
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