Chega o verão e com ele as habituais feiras de artesanato. Surgem inseridas nas festividades das cidades. Há música, animação, cor e alegria. A população gosta. Os turistas agradecem. Os artesãos comparecem vindos de toda parte. Compram-se algumas peças, não muitas, mas quem vende dá-se por satisfeito. Peças expostas de maneira irregular para a divulgação do artesanato, esta é uma das características dessas feiras. Um trabalho diário num setor que ganha maior visibilidade no verão. A altura em que abrem as portas as maiores feiras de artesanato. Mas e depois que acaba o verão? O que fazer no resto do ano?

Expor mercadorias em feiras é um hábito muito antigo, quase tanto quanto a própria noção de comércio. No período final da idade média, as rotas de mercadores da Europa se transformaram em ponto de encontro para a compra, venda e troca de produtos. Em especial, nos pontos em que essas rotas se cruzavam, desenvolviam-se feiras periodicamente, sendo que as maiores se localizavam na região de Champagne, nordeste da França. Vilarejos e cidades cresceram e fortaleceram as relações comerciais em torno dessas feiras, dando um empurrão decisivo na burguesia que se desenvolvia de forma cada vez mais convincente.
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As feiras perduram até hoje, sejam elas voltadas ao comércio de alimentos, sejam servindo de vitrine e meio de sustento (ou complementação de renda, em muitos casos) para artesãos. Geralmente as barracas são de cores variadas, e logo sedo já é possível ver os primeiros artesãos, hippies que confeccionam brincos, pulseiras e penduricalhos de formas e preços variados. O que mais chama a atenção em uma feira de artesanato é a variedade, não só de mercadorias, mas de gente. De senhoras idosas a adolescentes com camisetas de bandas de heavy metal, tudo remete à mistura.

A democracia também é verificada nos produtos expostos: artesanato e quitutes caseiros dividem espaço com antiguidades ou mesmo raridades como vitrolas, câmaras fotográficas, esculturas. Até móveis e utensílios domésticos são atrativos para gente de todas as idades. Há quem diga que algumas feiras têm clima da “casa da vovó”. As feiras usam de artifícios como apresentações, música ao vivo, circo, danças para atrair clientes e turistas. Eventos culturais e apresentações de bandas ocorrem periodicamente. Nos sábados à tarde o movimento é bastante intenso e é possível encontrar com famosos da música brasileira fazendo suas compras.

As feiras de artesanato são regulamentadas pela Secretaria de Abastecimento do local. Os expositores passam por um processo de seleção no qual apresentam seus produtos e são avaliados por comissões. Vale a pena prestigiar o trabalho desses artistas nas diversas feiras da cidade.
Certificação e concorrência: A certificação dos produtos é a chave para o desenvolvimento do setor do artesanato. É também o trunfo que pode dar a vitória no jogo da concorrência.

As pessoas podem querer comprar uma toalha bordada na China por 10 reais ou uma toalha bordada no Ceará por 50 reais, mas têm de conhecer o que compram. É muito importante que seja registrado que o produto é artesanal, que é feito a mão, que é único. Quando se fala em artesanato, um dos problemas é a concorrência dos mercados asiáticos, africanos e latino-americanos. Peças de artesanato ou pseudo-artesanato enchem as prateleiras a baixos preços e apresentam-se como opositores aos produtos artesanais. O problema, é o da clareza. Nas lojas chinesas, por vezes, há artesanato tão bom como o nosso. Não pode é haver confusão entre produtos. Até porque, o artesanato proveniente desses mercados é artesanal, mas quando chega às feiras quem o vende não faz idéia de como é feito. Ter explicação do produto que está comprando, saber como ele é feito isso agrega valor ao artesanato. Por outro lado quando o artesão está trabalhando em um produto, ele ao mesmo tempo em que vai produzindo, certamente vai tentando imaginar, até mesmo fantasiar, para onde o produto vai quem vai usá-lo. Toda essa história criada pelo artesão, é capaz de enriquecer ainda mais seu produto.

Cabe as agências de desenvolvimento local a tarefa de certificar os produtos artesanais. O processo implica um levantamento histórico sobre o produto, a sua importância na região e a avaliação da deterioração estética do produto. Isto porque, alguns artesãos, na tentativa de modernizar os produtos caem no erro de modificá-los, descaracterizando-os. O passo seguinte é verificar se o produto possui as características que o identificam com determinada grelha de produtos considerados artesanato.

O casamento entre o produto artesanal e o design afigura-se como uma das saídas para a crise no setor. O problema é que desenhar o artesanato é complicado. Quando um artesão se senta, ele faz, isto é, não pensa no que vai fazer. Do outro lado, os designers que desenham para a indústria e não são preparados para desenhar para as pequenas séries ou produtores artesanais. Apesar das dificuldades do casamento existem casos de experiências de sucesso neste campo.

Conversando com os artesãos, percebe-se claramente que a feira é não apenas um local de comércio, mas também uma oportunidade de conhecer pessoas. "A gente pega muita amizade”. Essa é a opinião da maioria dos artesãos que expõem seus produtos em feiras. Muitos deles participam das feiras como forma de ajudar no orçamento doméstico, ao mesmo tempo em que mantém acesa a paixão que sentem pelo ofício. Não são poucos os casos de troca de um trabalho de escritório pela vida nas feiras de artesanato. Não ter obrigação com horário e fazer o que gosta. Esta é a frase típica dos artesãos que encontramos nessas feiras. Porém é necessário haver um compromisso dos expositores de não faltar à feira, bem como de manter a organização e o compromisso com o público freqüentador.
As dificuldades enfrentadas por quem monta essas feiras não são poucas. Muitas vezes os locais em que as barracas são montadas são repletos de indigentes. A falta de apoio às feiras artesanais, é apenas um dos problemas que os artesãos brasileiros encontram para promover seus trabalhos. A falta de divulgação e o excesso de burocracia ainda são obstáculos a serem superados.

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