A combinação “felicidade e prazer”, é o principal significado do ritual repleto de magia que é o Raku, onde os quatro elementos da natureza, terra, água, fogo e ar, se fazem alquímicamente presentes.

Esta técnica de cerâmica, originária do Japão há mais de 500 anos, fazia parte do cerimonial do chá e da filosofia Zen-Budista, na confecção de recipientes apropriados para a cerimônia.

Somente no início do século passado chegou ao ocidente (EUA), onde novos elementos foram incorporados à técnica tradicional, proporcionando efeitos também inusitados, e artisticamente também mais elaborados.

A peça segue todo processo tradicional da cerâmica, que é a modelagem do barro, secagem, queima do biscoito e esmaltação com nova queima (1000°C). Após esse processo, inicia-se o Raku, onde a peça é retirada do forno ainda incandescente, no ponto de fusão do esmalte, e introduzida em um recipiente tampado, repleto de serragem de madeira, ou folhas e galhos secos, palha de arroz ou até mesmo jornal. Acontece então a combustão desse material e a redução (queima do oxigênio). Esse é o processo ocidental. Na tradicional técnica oriental, as peças incandescentes são apenas mergulhadas em água fria, ou banhadas em chá.

Após algum tempo, as peças são retiradas desse recipiente, lavadas e escovadas. Os efeitos são sempre surpreendentes, e as peças únicas! O choque térmico ao qual a peça é submetida, craquela a superfície de seu esmalte, de forma imprevisível, e a fumaça e fuligem, provenientes da combustão do material que foi usando dentro do recipiente da queima, penetram nesses veios craquelados, dando uma coloração escura. Quando a peça é submetida ao processo do Raku sem a esmaltação, em vez do efeito craquelado, obtem-se uma coloração escura por toda a peça.

Claro que na cerâmica plástica apenas reproduzimos artificialmente o resultado final. O material é a base de PVC, e jamais suportaria todo esse processo em alta temperatura.

Para isso utilizamos o verniz craquelê de duas partes, depois uma pátina escura nos veios que se formam, que pode ser feita com materiais variados, e finalizamos impermeabilizando a peça com verniz específico para cerâmica plástica. A técnica é bastante simples, e o resultando muito bonito!

Um grande abraço, e até a próxima!

(autoria do texto: Beatriz Cominatto)

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