Dias 27
e 28 de abril, pela terceira vez a Escola
Gaúcha de Joalheria promoveu a excursão
O Caminho das Pedras Preciosas.
No grupo, um total de trinta excursionistas, havia alunos
da escola e outros interessados em gemas, entre os quais
duas geólogas e um avaliador de gemas residentes
em São Paulo (SP). A coordenação
do evento ficou a cargo do designer e joalheiro César
Cony, diretor da Escola, e nós participamos
como seu professor de Gemologia e guia técnico.
|
Essa viagem de
estudos começa em Porto Alegre (RS) e a primeira
parada é na Escola
de Lapidação do Senai, em Soledade.
Ali, os visitantes conhecem todas as fases do processo
de lapidação das pedras preciosas,
tanto da lapidação manual quanta da
mecanizada. A visita seguinte é a uma das
grandes empresas produtoras, beneficiadoras e exportadoras
de gemas instaladas naquela cidade. |

geodo de ametista na
rocha, na parede de uma galeria
|

geodo de cristal-de-rocha
com quase 5 m de altura
|
Os excursionistas
vêem como são serrados e preparados
para venda os belos geodos
de ametista, ágata
e citrino,
além de poder admirar (e comprar) gemas e
outros minerais procedentes de vários estados
e também de outros países. Esta vez,
tiveram a oportunidade de ver um geodo de cristal-de-rocha
procedente do Uruguai, que não se destaca
pela beleza, mas que tem dimensões simplesmente
gigantescas. Ele mede quase 5 m de altura e é
formado por milhares de pequenos cristais de quartzo
incolor.
De Soledade, o grupo deslocou-se para Frederico
Westphalen onde pernoitaram. No dia seguinte, foram
à cidade de Ametista do Sul, bem no centro
da maior área produtora de ametista do mundo,
atravessando de balsa o rio da Várzea. |
|
Nesse município, que tem 80% de sua arrecadação
provenientes da extração de ametista,
visitaram o belo Ametista
Parque Museu.
Além
dos belos minerais do acervo, o museu oferece aos
visitantes a oportunidade de conhecer um antigo
garimpo subterrâneo, percorrendo 200 m de
galerias. Elas mostram, em suas paredes, como a
ametista,
a ágata
e o cristal-de-rocha
aparecem na natureza e como são dali extraídos
e transportados para a superfície.
|
grande geodo de citrino
à venda em Soledade (RS) |

parede revestida de
ametista, com algumas drusas de citrino, na Igreja
de São Gabriel
|
Após o almoço,
uma atração extra, não prevista.
Descobrimos um depósito de rejeitos de ametista
no pátio de uma residência e, em contato
com o proprietário, obtivemos dele autorização
para que os visitantes garimpassem ali. Embora se
tratasse de material sem valor comercial, para curiosos
e colecionadores foi uma festa ! Todos levaram o
que puderam, coletando também algumas drusas
de quartzo incolor,
calcita e citrino.
|
|
A seguir, visitou-se a igreja
de São Gabriel, ainda em Ametista
do Sul. Esse templo foi todo revestido, no ano
passado, com 15 toneladas de drusas de ametista, intercaladas
com algumas drusas de citrino e de calcita branca, dando
um aspecto bonito e original às paredes. O altar
é uma mesa apoiada sobre dois geodos
de ametista. Ao seu lado, um curioso geodo dessa
mesma gema, serrado ao meio, lembra duas pessoas com a
cabeça e as mãos voltadas para o céu,
como se suplicassem ajuda.
|
geodo cortado ao meio que lembra
duas pessoas erguendo as mãos aos céus |

César Cony na igreja
de São Gabriel
|
Na praça em frente
à igreja, a última atração do
passeio: quatro paredes de alvenaria, com 2 m de altura,
também revestidas parcialmente, no lado interno,
por ametista, sustentam
uma grande pirâmide de vidro com a cor da ametista,
sob a qual os visitantes podem ficar para se energizar ou
meditar.
Essa viagem é muito interessante e certamente agradará
muito a quem gosta de pedras preciosas ou de coisas diferentes
da natureza. Grupos menores podem ficar hospedados em Ametista
do Sul.
|
| O único hotel da cidade é bastante
simples, mas, em compensação, pode-se ir por
Planalto, dispensando a travessia de balsa. Só que
esta é outra atração deste emocionante
passeio... |
|