No artigo anterior, mencionei que os consumidores tendem a se tornarem cada vez menos fiéis e mais caprichosos. Como podemos maximizar, então, esta fidelidade cada vez mais fugaz dos clientes?

O termo “CRM”, sigla para Custom Relationship Management – ou gerenciamento de relacionamento com clientes, adaptado no Brasil para “marketing de relacionamento” - era inicialmente um conceito atribuído à equipe de vendas. Não há um consenso sobre uma autoria única da idéia de CRM, nem tampouco uma única vertente que inclua todas as variáveis que foram surgindo. Vários autores publicaram artigos buscando esclarecer o verdadeiro significado de CRM, que durante muito tempo foi considerado “apenas” mais uma ferramenta de marketing (BROWN, 2001; DYCHE, 2003; GORDON, 2001b; HUGHES, 2002). Ao invés disto, o CRM foi se desdobrando e se desenvolvendo a medida em que o mercado, as empresas e o perfil do consumidor foram se modificando. Segundo McKenna (1992), o relacionamento com o cliente é uma das principais vantagens competitivas sustentáveis possíveis de se construir por uma empresa.

Para muitas organizações, o Marketing de Relacionamento é algo que envolve estratégia, implantação de tecnologia de informação (TI), softwares, treinamento, muitas vezes advindos de consultorias especializadas, mão de obra, tempo e capital. A maioria destes recursos dificilmente estará disponível para pequenos núcleos empresariais ou profissionais autônomos. Como então tirar proveito de uma idéia valiosa – senão indispensável – dada a escassez relativa de recursos e a necessidade de soluções eficazes?

Ao contrário de retorno publicitário e capital, por exemplo, o relacionamento com os clientes é algo difícil de ser mensurado. Apesar de envolver elementos que podem ser mais visíveis, ou até quantificados: qualidade de produtos, política de trocas, prazos de entrega, facilidades de pagamento – envolve também aspectos mais sutis que permeiam a relação fornecedor x cliente: padrões éticos, adequação de produtos (ou customização) voltados para determinado cliente (ou grupos de clientes), harmonia nas relações, antecipação de anseios.

A dificuldade começa já mesmo na construção deste relacionamento, uma vez que elementos como fidelidade e confiança são os pilares que sustentam uma relação em que não há garantias de continuidade. A diferença talvez possa ficar mais visível se compararmos o marketing estratégico com o marketing de relacionamento.

No marketing estratégico, o objetivo principal é a venda, e o caminho passa pela construção de marcas fortes, muitas vezes líderes em seus segmentos de mercado. Essas vendas são efetuadas na maioria das vezes para consumidores anônimos, classificados por targets, ou segmentos-alvo, que podem ou não se tornar fiéis.

Mesmo contando com canais de diálogo com o cliente, o foco primeiro é a efetivação de operações comerciais, fixação da marca e aumento do número de clientes. A mídia de massa passa a ser de extrema importância, uma vez que as relações da empresa são focadas em um grande mercado, ao invés de um pequeno perfil de consumidores.

Exemplos de anúncios veiculados pela marca Vivara, líder no segmento de joalheria no Brasil. Em 2004, a Vivara foi considerada a 16ª. anunciante em mídia impressa no Brasil. Segundo matéria publicada no website “Em Revista”, a estratégia da marca busca ampliar seu mercado consumidor e reforçar a força de sua marca através do marketing estratégico, que busca na força das campanhas publicitárias a solidificação do nome.

No mesmo artigo, uma pesquisa feita pelo Ibope/Vivara mostra que os investimentos publicitários da marca somaram R$ 15.944.000,00 em 2004, quando a loja contava com 53 pontos de venda.

Foto de Gisele Bündchen, que passa a estrelar campanhas publicitárias da marca a partir de Abril de 2007.

Peça da campanha publicitária da Amsterdam Sauer, Dezembro de 2005

Com um outro tipo de enfoque, que pode ou não caminhar em paralelo ao marketing estratégico, o marketing de relacionamento é voltado para a construção de relacionamentos sólidos com os clientes, existentes ou potenciais. Busca conhecê-los, desenvolver elos de aproximação para então satisfazê-los sempre e de modo contínuo.

O fundamental aqui passa a ser conhecer o cliente, desenvolver produtos que preencham seus anseios e prover soluções que atendam suas necessidades. A interatividade é maior, e envolve não só políticas de produtos e preços, mas toda uma gama de serviços que busquem reter este consumidor, criando laços duradouros de fidelidade. Na próxima edição vamos conversar um pouco mais sobre estas ferramentas...Até lá!

Fontes: BROWN, DYCHE, GORDON, HUGHES, MCKENNA, VIVARA, EM REVISTA, AMSTERDAM SAUER.

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