DUREZA X TENACIDADE

Um conceito freqüentemente mal compreendido no estudo e descrição das gemas é o de dureza.
Entende-se por dureza a resistência que um mineral oferece quando se tenta riscá-lo. Não é a resistência que ele oferece quando se tenta quebrá-lo, dobrá-lo ou torcê-lo; isso chama-se tenacidade.
Esse entendimento é de fundamental importância porque há gemas de dureza muito alta mas com baixa tenacidade (ex.: diamante) e gemas de alta tenacidade com dureza relativamente baixa (ex.: jadeíta, o principal dos dois tipos de jade).


Diamante Negro

Só é possível riscar um diamante usando outro diamante, mas quebrá-lo não é difícil. Muitas vezes, leigos que julgavam ter encontrado uma dessas gemas bateram nela com um martelo para tirar a dúvida...
A dureza alta é importante não apenas porque dá mais resistência à gema, mas porque permite obter mais brilho na lapidação. É por isso que as gemas mais importantes têm dureza igual ou superior a 7 na escala de Mohs, que vai de 1 a 10.
A propósito, há outro equívoco comum. A escala de Mohs, internacionalmente usada para definir a dureza de minerais, dá a impressão de que a fluorita, por exemplo, com dureza 4 é duas vezes mais dura que a gipsita, que tem dureza 2. Ou que o topázio, com dureza 8, é duas vezes mais duro que a fluorita. Isso não é verdade, tanto que o diamante (dureza 10) é 140 vezes mais duro que o rubi e a safira (variedades de coríndon, que têm dureza 9).


Fluorita


Topázio


Rubi


Safira Estrela

A dureza medida pela escala de Mohs é, portanto, uma dureza relativa. A dureza absoluta é obtida por aparelhos como o esclerômetro, que só são usados em alguns laboratórios, entre os quais não se incluem os laboratórios gemológicos.

Por Pércio de Moraes Branco - Geólogo
Pércio e nosso consultor para esta coluna:
http://www.portaldasjoias.com.br/consultoria.htm
E-mail: museugeo@portoweb.com.br

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