"A OBSIDIANA"
Por Pércio de Moraes Branco - Geólogo
e-mail: museugeo@pa.cprm.gov.br

A lava vulcânica, ao resfriar, endurece e forma uma rocha, ou seja um agregado de minerais composto de grãos cristalinos de formato e tamanho variáveis.
A
rocha assim formada poderá ser basalto, andesito, riolito, etc., dependendo da composição do material em fusão que saiu do interior da crosta terrestre. O tamanho dos seus grãos por sua vez, dependerá da velocidade de resfriamento da lava. Quanto mais lento ele for, para uma dada pressão, maiores serão os cristais.


obsidiana vermelha do México (Museu de Geologia)


obsidiana verde do Chile (Museu de Geologia)

Se o resfriamento for muito rápido, em vez de se formar grãos de minerais, a lava gera um vidro natural, que difere dos cristais fundamentalmente por não ser formado por um arranjo ordenado de átomos, ou seja, por não ter estrutura cristalina.
A
obsidiana é um desses vidros naturais, relativamente fácil de ser reconhecida por ter brilho vítreo, uma fratura conchoidal bem pronunciada e cor escura. Essa cor usualmente é preta, mas pode ser verde, cinza, marrom, amarelada ou vermelha.
A composição química da
obsidiana corresponde aproximadamente à do riolito, possuindo 66% a 77% de sílica, 13 % a 18% de alumina, além de água e óxidos diversos.
Em razão de seu brilho e translucidez, ela é usada como gema há mais de 5.000 anos, e é hoje empregada na forma de cabuchões, gemas facetadas, camafeus e entalhes. A obsidiana procedente do México (Querétaro e Hidalgo) é a preferida para isso. Outros países produtores são Itália, Estados Unidos, Hungria, Nova Zelândia e Rússia.
No Brasil, não é muito difícil encontrar
obsidiana preta nos basaltos do Sul do país. No Rio Grande do Sul, ela ocorre, por exemplo, no Itaimbezinho, Nova Bréscia e Barracão. A ocorrência deste último município prolonga-se além do rio Uruguai, ao longo da BR-470 aparecendo também em Campos Novos, no estado de Santa Catarina.


obsidiana preta do México (Coleção Pércio de Moraes Branco)


obsidiana floco-de-neve dos EUA (Museu de Geologia)

Testes de polimento feitos com material procedente dessa ocorrência mostraram que a obsidiana tem uma boa resistência física, mas não adquire bom brilho por ser porosa. Como os vidros fabricados, a dureza da obsidiana não é alta (5,0 a 5,5), o que também contribui para um brilho pouco intenso.
No Estados Unidos, em Utah, ocorre uma bela obsidiana preta com porções claras de cristobalita. Ela é facilmente encontrada no mercado brasileiro, onde é chamada de obsidiana floco-de-neve e obsidiana nevada.

 

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