Entrevista do Mês

"Antonio Luciano Gandini"
Prof. Dr. do Departamento de Geologia da
Escola de Minas da UFOP
Diretor do Museu de Ciência e Técnica/EM/UFOP


E-mail: algandini@oi.com.br

Antonio Luciano Gandini é Geólogo e Diretor do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto
Graduação: Engenharia Geológica (Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto) dez/1982
Especialização: Gemologia (Departamento de Geologia da Escola de Minas da UFOP) dez/1987
Mestrado: Mineralogia (Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo)
dez/ 1994
Doutorado: Mineralogia (Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo)
mar/ 2000
Professor Adjunto de graduação e Pós-Graduação (Lato sensu e Stricto sensu)
disciplinas: mineralogia, cristalografia, gemologia, inclusões fluidas, gemas orgânicas
Orientação: alunos de especialização, mestrado e doutorado
Direção: Diretor do Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, desde jan/2004


Pedras preciosas
(termo comercial e não científico) e gemas (termo científico, sinônimo de pedra preciosa).
Por uma questão de padronização e de divulgação de termos corretos, deve-se usar o termo gema. A gema pode ser avaliada de baixo ou alto valor comercial.
Outro termo é mineral-gema. Nem todo mineral é utilizado na gemologia.


Portal das Jóias:
Fale um pouco sobre o Museu de Ciência e Técnica da Escola de
Minas da Universidade Federal de Ouro Preto onde é diretor.
Gandini: A partir da coleção mineralógica iniciada pelo francês Claude Henri
Gorceix, fundador da Escola de Minas, em 1876, foi que o Museu teve sua
origem. Esse acervo tornou-se uns dos maiores do mundo, pois continuamente é acrescido por novas amostras adquiridas a partir de trocas ou doações de diversas pessoas e instituições nacionais e estrangeiras.
Uma grande e expressiva alteração ocorreu em 1984, pois foi ofertada pela Escola de Minas de Paris um novo espaço de exposição de minerais, baseada na museografia expositiva daquela instituição.
Foi inaugurado em 1995 um conjunto de exposições permanentes que
recebeu o nome de Museu de Ciência e Técnica com objetivo de preservar, conservar e divulgar a tecnologia e a ciência vivenciada e desenvolvida pela Escola de Minas em mais de um século de existência.
Seu acervo museográfico é atualmente constituído por mais de 30 mil peças vindas de todas as partes do mundo. Todo o material encontra-se distribuído em doze setores temáticos.
Atualmente, dois setores de mineralogia contam com um acervo de minerais com cerca de 20 mil amostras, que procedem de diversos países, sendo considerado como um dos mais completos do mundo.
Com objetivo de divulgar e despertar o interesse sobre as áreas de geociências também são realizadas várias atividades pedagógicas no museu.


Portal das Jóias:
Minas Gerais é mundialmente conhecida pela variedade de gemas que produz. Quais são hoje as gemas mais importantes na produção do
Estado?
Gandini: Esmeralda e água-marinha (ambas variedades do berilo), alexandrita
(variedade do crisoberilo), topázio imperial, turmalinas coradas e
diamante.

Portal das Jóias: Como é feita a lapidação dessas gemas e a indústria de lapidação está à altura da produção de gemas?
Gandini: Para cada tipo de mineral-gema há uma forma mais adequada, no entanto pode-se lapidar em qualquer formato, inclusive o tipo fantasia (forma
livre).
Por exemplo, as formas tradicionais são: para a esmeralda, a lapidação mais utilizada é a degrau; para o topázio imperial é a lágrima ou navete; para o diamante é o brilhante, e assim por diante.
Em relação à indústria de lapidação, infelizmente ela não dispõe de recursos financeiros e/ou humanos qualificados. São poucos os lapidários de alto nível no país, não obstante sua criatividade é inigualável.


Portal das Jóias:
Poderia nos informar em quais regiões, hoje, está mais concentrada a produção dessas gemas? Que municípios deve-se percorrer para
conhecer as origens dessas gemas?
Gandini: No estado mineiro, a produção de gemas se concentra em grande parte
nos vales dos rios Doce e Jequitinhonha. Os municípios mais famosos são: Itabira, Governador Valadares, Teófilo Otôni, Araçuai, Guanhães, Conselheiro Pena, Coronel Murta, dentre outros.


Portal das Jóias:
Para comprar gemas brutas, o melhor lugar são os garimpos ou o comércio de cidades como Teófilo Otôni e Governador Valadares?
Gandini: Na verdade não há uma regra própria. Para um comprador com
ligações com garimpeiros, a compra pode ser realizada nos próprios garimpos. De um modo geral, as pessoas compram em comerciantes com seus escritórios instalados nas cidades, uma forma mais rápida e prática, pois muitos garimpos são de difícil acesso, principalmente na época das chuvas.


Portal das Jóias: Onde, aqui, no Brasil, podemos avaliar minerais-gemas e gemas com segurança e certificado?
Gandini: Antes de avaliarmos uma gema precisamos identificá-la. Algumas
universidades (UFOP, UFRGS, UFPA e USP), além de algumas empresas, lojas ou profissionais autônomos podem fazer a identificação. Após essa etapa, faz-se a avaliação. Os certificados são emitidos por alguns gemólogos ou em lojas do ramo. Claro que conta a loja ou o profissional mais conhecidos, pois mais credibilidade terá o certificado.


Portal das Jóias:
O ouro e o diamante continuam sendo bens minerais importantes na indústria extrativa de Minas Gerais?
Gandini: Apesar de Minas Gerais não ser o maior produtor de ouro no Brasil,
ainda se destaca na extração desse bem mineral. Da mesma maneira, o
diamante também ocorre em vários outros estados brasileiros, mas, em
Minas, além da história, é fonte de renda.


Portal das Jóias:
Quantas peças o Museu de Ciência e Técnica possui na seção de
minerais?
Gandini: Nos dois setores de mineralogia estão expostas, aproximadamente, 20
mil amostras de diversas espécies minerais.


Portal das Jóias:
Como orientador, quais conselhos o Sr. daria ao jovem que quer
ingressar na carreira de geologia e/ou gemologia?
Gandini: A escolha de qualquer profissão, antes de mais nada, deve-se fazer por
prazer e não pelo salário. No caso da geologia, a pessoa deve ter algum interesse pela natureza, especialmente ligada ao aspecto físico da crosta terrestre (vales, montanhas, vulcões, terremotos, minerais).
Um gemólogo não necessariamente tem que ser um geólogo, mas se for,
terá muito mais condições de entender uma série de propriedades de
identificação dos minerais-gemas. A gemologia está ligada, não só
à joalheria, como também ao comércio de gemas não montadas. Além
do trabalho de identificação e avaliação, também pode-se trabalhar
na parte de designer de jóias.


Portal das Jóias:
O que a Universidade Federal de Ouro Preto oferece em termos de cursos para quem quer se dedicar à gemologia?
Gandini: O estudante da área de engenharia pode cursar gemologia (60 horas),
uma disciplina eletiva. Essa disciplina não é obrigatória.
No caso da pessoa já ter um curso superior (geologia, eng. de minas, eng. metalúrgica, física, química) ou tiver alguma atividade na área de gemologia, poderá fazer um curso de especialização (latu sensu). Esse curso tem a duração de dois anos e tem que apresentar uma monografia no final do curso. A seleção ocorre normalmente em janeiro.
Para aquelas que querem um curso de mestrado ou doutorado (stricto sensu), normalmente há duas seleções por ano, isso para as pessoas que titulação em geologia, eng. de minas, eng. metalúrgica, física, química ou áreas afins. No primeiro curso, o prazo é de dois anos e o outro, quatro anos. Nos dois cursos é obrigatório cursar disciplinas e defender uma tese.

Contato com a geologia da UFOP: 0..31 3559-1600 ou 3559-1606 FAX (sec.
da geologia)
0..31 3559-2625 (sec. da Pós-Graduação)
edson.pos@gmail.com
pgrad@degeo.ufop.br
Museu de Ciência e Técnica
0..31 3559-3119 ou 3559-1597
http://www.museu.em.ufop.br
museu@ufop.br

As perguntas da entrevista foram elaboradas pelo Geólogo Pércio de Moraes Branco

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