"Orientação para o consumidor"

Por Kátia Faggiani - Designer de Jóias
E-mail: katia@katiafaggiani.com.br

Nos últimos artigos, vimos que os objetos refletem determinados aspectos do ser humano dentro do seu contexto histórico e que é necessário conhecer o consumidor para se projetar um produto de forma coerente com seus desejos e necessidades atuais.

Boneto (1993) afirma que "não se pode viver isolado no alto de um pedestal, tem que experimentar e compreender as situações e problemas relacionados com a utilização de um produto". O autor enfatiza a necessidade de buscar junto ao consumidor o que ele realmente precisa e deseja em relação a produtos.

Moraes (1997), referindo-se à sua preocupação com o desenvolvimento de produtos mais adequados ao consumidor atual, sugere que o consumidor deve ser adotado como o principal fator de orientação projetual. Ou seja, no mercado atual, o que vem em primeiro lugar são os desejos e necessidades do consumidor e depois surge o produto para sanar essas carências. O designer deve, em princípio, deixar de pensar no produto em si, mas voltar sua atenção ao contexto e à situação de uso que envolve o projeto. Um projeto, uma vez direcionado por tais enfoques, tem a possibilidade de apresentar soluções mais inovadoras, diferenciadas e, às vezes, inusitadas. (Moraes, 1997)

As necessidades do consumidor são reais. Sabe-se que diversos fatores podem afetar o resultado final, incluindo motivações e atividades de marketing, que neste caso é o ponto que nos importa.

Normalmente, os produtos de luxo são envolvidos por benefícios hedonistas e simbólicos, e os profissionais de marketing podem compreender essas necessidades através de mensurações, incluindo perguntas em escala, métodos de pesquisa de motivação, grupos de discussão, pesquisa qualitativa e etnografia (Engel, Blackwell, Miniard, 2000).


Diversos autores, entre eles Featherstone (1991), Dubois e Duquesne (1993), Allérès (2000), Elias (2001) e Remaury (2002), estudaram por diversas abordagens o comportamento do consumidor de produtos de luxo.

A compreensão do comportamento do consumidor deste tipo de produto ainda é complexa. O luxo tem sua lógica particular, o que não se pode reduzir a uma única regra já que o mesmo está acima dos desejos e necessidades.

Assim, não existe nenhum modelo que possa explicar todas as facetas da compra e consumo de produtos de luxo, já que suas decisões são numerosas e diversificadas. Porém, existem alguns parâmetros de base: qualidade, fantasia, exclusividade e identidade, os quais veremos com mais detalhes nos próximos artigos. Até lá!

Fontes: livro “O poder do design: da ostentação à emoção”, publicado pela Thesaurus Editora.

© Copyright Portal das Joias 2002/2006 - Todos os direitos reservados
|Política de Privacidade| |©Lei de direitos autorais|