| É
necessário fazer um curso?
Depende do que se propõe a fazer. Eu trabalho
exclusivamente com bijuterias elaboradas em cerâmica
plástica
(polymer clay),
aqui no Brasil bem conhecido como massa Fimo.
No caso de se fazer peças nesse material, um
curso é essencial, pois são muitas as
técnicas de modelagem, e cada uma com seus
detalhes e dicas específicas. Até mesmo
para que não se perca muito material em tentativas,
que, na maioria da vezes, não têm resultados
satisfatórios.
Na bijuteria convencional, onde se trabalha apenas
a montagem de peças prontas, existe o recurso
de se consertar o que não ficou bom, refazendo
a peça. Muitas revistas aqui no Brasil e sites
dão boas dicas de montagem, então é
possível aprender sozinho. Observar nas mãos
detalhadamente peças prontas, analisando como
foram feitas, também é um caminho. Mas
um bom curso nunca será demais. Caso exista
essa possibilidade, valerá a pena!
Existem outras técnicas também mais
elaboradas, onde cursos são recomendáveis.
Existem
bons materiais para auto-didatas? Algum que você
recomenda?
Sugiro começar por peças vistosas e
menos complicadas, como colar de contas feitos com
cristais, miçangas, pedras, sementes, etc..
que são mais simples de serem montados, rápidos
e costumam ter boa aceitação no mercado.
Pingentes prontos grandes, aplicados em cordões
rústicos também são fáceis
e dão bons resultados.
De onde
essa pessoa pode tirar inspiração para
criar as peças?
Primeiro seria interessante seguir uma pouco da tendência
de moda, cores da estação, etc. Mas
note bem, seguir um pouco, pois o diferencial do seu
trabalho será o toque pessoal que dará
à peça. Às vezes eu desenho uma
peça antes de começar. Em outras, conforme
vou juntando as peças, as idéias vão
surgindo. Procure observar o que as pessoas estão
usando. Vitrines, fotos em revistas, etc, pois uma
idéia sempre levará a outra e o processo
de criação começará.
Também poderá depois desenvolver toda
uma coleção, ou mesmo uma linha conceitual,
onde a inspiração das peças surgirá
a partir de um tema proposto.
Como escolher
a matéria-prima?
É fundamental uma peça de boa qualidade.
Procurar trabalhar com produtos de primeira linha
e bom acabamento. De nada adiantará tanto esmero
na elaboração de uma peça, e
pecar na baixa qualidade de seus componentes.
É
melhor montar uma loja ou vender para amigos, colegas
de trabalho e ir ganhando clientes no boca a boca?
Montar uma loja é um passo grande, onde a pessoa
necessitará de uma produção maior,
mais experiência, mesmo para revender peças
terceirizadas. No início é sempre bom
testar a aceitação das mesmas com os
amigos e colegas de trabalho, que serão um
bom termômetro. Como consequência disso,
poderá então contar com o boca a boca.
Também poderá oferecer suas peças
a lojas de roupas e acessórios de moda. Feiras
de artesanato também são uma ótima
sugestão.
Tem algum
nicho nesse mercado que é mais promissor?
Aposto muito no setor da cerâmica plástica,
por ser um material extremamente versátil,
de grande valor artístico e de ótima
aceitação no mercado, tanto no Brasil
como no exterior, onde também costuma-se gostar
muito de peças mais exóticas, elaboradas
com pedras e sementes brasileiras.
E se ela
quiser apenas revender, qual é a margem de
lucro?
Essa margem de lucro irá variar entre 20 e
100% do valor da peça, dependerá muito
de cada caso. Se for empreendedora, poderá
comprar uma quantidade maior de peças, negociando
um bom desconto, consequentemente aumentando sua margem
de lucro. Se for apenas revender um material consignado,
mediante uma comissão negociada com o fabricante,
as porcentagens não são tão altas.
Mas em geral, bijuteria é um segmento de ótimo
retorno, pois as peças sempre são muito
procuradas. É muito gratificante e prazeiroso
trabalhar nesse segmento.
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