"Falso coral"
em cerâmica plástica


Por Beatriz Cominatto - Fimo Designer
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Tenho paixão pelo vermelho, principalmente na tonalidade coral. Adoro cores vibrantes, e o coral, uma gema orgânica de origem marinha conhecida há 6.000 anos, me proporciona essa paixão (embora também seja encontrado em outras tonalidades, como rosa, salmão, branco ou mesmo azul, dourado e negro).
Na mitologia, o coral surgiu do sangue jorrado pela cabeça da Medusa ao ser cortada por Perseu, por isso ainda hoje é associado ao sangue.
Sua beleza na joalheria é indiscutível, apesar do risco de extinção, como consequência de uma degradação contínua, provocada também pelo aquecimento global. Hoje, quase 30% dos recifes de corais do planeta já estão perdidos, e até 2010, há previsão de que essa taxa atinja patamares de 40%. Isso é um risco, pois os corais têm ao ecossistema marinho a mesma importância que as florestas tropicais úmidas têm ao terrestre, pois ambos são os maiores centros de biodiversidade do mundo, abrigando uma enorme variedade de plantas e animais, tanto marinhos como terrestres.

O coral é um animal marinho que vive em colônias, formadas por inúmeros animais individuais (pólipos). Estas colônias crescem formando os recifes, que nada mais são do que esqueletos de calcáreo. Vivem em águas não muito quentes e pouco profundas. Necessitam das algas que vivem dentro de seus tecidos vivos e que, com sua fotossíntese, produzem oxigênio para as demais espécies, e também o carbonato de cálcio, indispensável para sua fixação nos recifes. Como uma planta, o coral depende da luz para crescer, apesar de ser um animal.

Têm velocidades diferentes de crescimento, conforme a espécie. Os corais vivos estão apenas nas superfícies dos recifes, formando ao todo um grande esqueleto composto de acúmulos de animais mortos.
Uma grande diversidade de organismos estão presentes nos recifes de coral, como algas, esponjas, vermes poliquetos, moluscos, crustáceos, equinodermos e peixes.
Os recifes estão acostumados a uma determinada temperatura, e o aquecimento das águas dos oceanos, que tornam as águas turvas dificultando a chegada da luz solar, prejudica a fotossíntese das algas. Com isso, os corais se estressam e eliminam as algas e outros nutrientes que vivem em seu interior. Com essa perda de nutrientes, sofrem uma doença chamada “branqueamento”. Outros fatores poluentes e de exploração mineral, industrial, turística e pesca, também colaboram para isso e, infelizmente (para não dizer tragicamente), pouco a pouco estão sendo sufocados e destruídos. Essa degradação coloca em risco inúmeras outras espécies, inclusive o homem.

Os corais mais valiosos são encontrados nas ilhas do Pacífico e nos mares Mediterrâneo e Vermelho.
Na joalheria, são utilizadas apenas as suas ramificações superiores, de aproximadamente 40 x 6 cm.
Na cerâmica plástica, muitas vezes vi a sua reprodução e, sinceramente, não gostei muito....achei que todas as técnicas deixaram a desejar.

Muitos tutoriais encontrei em livros e sites internacionais, mas eu sentia falta de algo diferente. Tive então a idéia de desenvolvê-lo de uma outra forma. Para isso, apenas modelei uma quantidade de massa bem clarinha (quase um branco “sujo”), que revesti com uma camada na tonalidade vermelho-alaranjado e dei forma. No caso das peças em estilo bruto, cavei buracos e finalizei após a queima com uma debastada com lixas, pátinas, e acabamento encerado.
Como outra opção, fiz também peças com aparência do coral bem polido que, no caso do verdadeiro, chega a ter brilho vítreo. Para isso, apenas eliminei o aspecto erosivo da peça, deixando-as bem lisas, e em vez de pátina e finalização com cera, optei pelo verniz apropriado. Gostei bastante do resultado. Cheguei a colocar propositalmente contas rústicas verdadeiras ao lado das imitações que fiz, e notei que algumas pessoas as confundiram. Acho que cheguei ao resultado que buscava!
(autoria do texto: Beatriz Cominatto)
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