"O Poder do Design"
(Política de produto – continuação)

Por Kátia Faggiani - Designer de Jóias
E-mail: katia@katiafaggiani.com.br

Apesar de ser “coisa supérflua” para algumas pessoas, o design impregna os bens de luxo de significados e simbolismo e passa, gradativamente, a ser assumido e adotado como estratégia de diferenciação e valorização para empresas frente à concorrência, servindo como fator de distinção. Atualmente, o design se distingue como um dos principais aspectos para o sucesso de uma empresa. A enorme concorrência e a similaridade entre produtos, efeitos da globalização, faz com que o design seja cada vez mais um fator decisivo neste panorama competitivo.


Bròcani


Dolce & Gabbana


K di Kuore

Kotler (1991), define o design como uma “ferramenta para a diferenciação competitiva do produto”, ou seja, ferramenta de marketing e uma “força de integração entre todas as outras ferramentas”. A articulação com o mercado é a base desta atividade quando estabelece estratégias para pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Design é peça primordial na diferenciação do produto de luxo. De acordo com Kotler, à medida que a concorrência se intensifica, o design oferecerá uma das maneiras mais potentes para diferenciar e posicionar produtos de uma empresa.

Denis (1998) comenta que “do ponto de vista antropológico, o design é uma entre diversas atividades projetuais que visam a objetivação no seu sentido estrito, ou seja, dar existência concreta e autônoma a idéias subjetivas”. Podemos destacar uma serie de outras funções ou significados imputados pelo designer no contexto de uso de um objeto, como a comodidade, conforto, gosto, prazer, inserção social e distinção.

O designer age no caso da atribuição de significados aos produtos, uma vez que seu trabalho está ligado às fases de concepção, produção e distribuição. Dessa forma o designer pode atribuir significados aos objetos nas diversas fases de suas atribuições, que vão muito além da funcionalidade do produto. Bonfim (1995), ao falar sobre o artefato como elemento capaz de portar informações sobre o desenvolvimento de uma sociedade, afirma que o mesmo “independente das funções imediatas a que serve, revela algo sobre o próprio objeto, sobre seus usuários e sobre o momento social, político e econômico em que se dá o relacionamento entre eles”. O objeto carrega concepções e valores resultantes da leitura do designer sobre a cultura e a sociedade a que pertence, traduzindo assim comportamentos, visões de mundo, valores estéticos e estágios tecnológicos que nos possibilitam uma leitura da cultura em que os mesmos estão inseridos.


Fraccari - Effedue

A atividade de planejar e conceber objetos de luxo envolve a configuração de comportamentos e a atribuição de significados aos mesmos, portanto o produto não pode ser encarado como um objeto neutro e isolado de seu contexto de compra e de uso. Esta forma de entender o design de produtos modifica o quadro de referência com relação à responsabilidade do profissional frente à sociedade e à sua cultura material. Ao considerar o contexto que envolve o produto, o designer tem a possibilidade de abordar em seu projeto a dimensão sócio-cultural, através do estudo dos aspectos comportamentais que envolvem as relações entre o ser humano e o objeto.

De acordo com Neto (2004), um bom produto deve ainda obedecer aos seguintes requerimentos: conceito (deve deixar transparecer sua finalidade e razão de existir), eficiência (qualquer produto deve responder satisfatoriamente às exigências de uso), simplicidade (design é mais inteligência com menos matéria), e surpresa (um bom produto não pode deixar ninguém indiferente. Um bom produto é aquele que as pessoas nunca esquecem, são memoráveis e eternos).

Os critérios e requerimentos utilizados no ato de projetar devem incluir também considerações sobre os valores atribuídos ou percebidos pelos consumidores, que podem ser:
- Valor intrínseco (constituído pelo custo do material utilizado).
- Valor de uso (a relação entre o custo de aquisição e o benefício proporcionado no uso do produto).
- Valor simbólico (consiste no valor agregado e na dimensão cultural, que são os elementos capazes de servirem como forma de identificação, diferenciação ou afirmação social).
- Valor afetivo (conformado pela carga emotiva que o produto carrega e pelas lembranças que ele é capaz de proporcionar).

Portanto a filosofia das empresas deve ser a utilização do design a nível estratégico, empresarial (papel do design, design na competitividade, design e lucro), operacional e administrativo, utilizando-se do design no processo de desenvolvimento, nos procedimentos, organização e técnicas de design (conhecimento das atividades, criatividade, métodos, comunicação e apresentação).

Acredito que o designer deva assumir papel importante dentro da empresa, ocupando-se não somente da resolução de características estéticas formais, mas interferindo e resolvendo problemas de caráter tecnológico, buscando, sobretudo prolongar a vida dos produtos em todos os aspectos.

Para mais informações sobre o assunto, estes e outros temas estarão sendo discutidos com maiores detalhes no livro “O poder do design: da ostentação à emoção”, publicado pela Thesaurus Editora, em lançamento no próximo mês. Até lá!

Fontes: Allérès, Bonfim, Castarède, Denis, Douglas, Kotler, Mccracken, Neto, Richers.

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