| Apesar de ser “coisa supérflua” para algumas
pessoas, o design
impregna os bens de luxo de significados e simbolismo
e passa, gradativamente, a ser assumido e adotado como
estratégia de diferenciação e valorização
para empresas frente à concorrência, servindo
como fator de distinção. Atualmente, o
design se distingue
como um dos principais aspectos para o sucesso de uma
empresa. A enorme concorrência e a similaridade
entre produtos, efeitos da globalização,
faz com que o design
seja cada vez mais um fator decisivo neste panorama
competitivo. |

Bròcani
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Dolce & Gabbana
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K di Kuore
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Kotler (1991), define o design
como uma “ferramenta para a diferenciação
competitiva do produto”, ou seja, ferramenta de marketing
e uma “força de integração entre
todas as outras ferramentas”. A articulação
com o mercado é a base desta atividade quando
estabelece estratégias para pesquisa e desenvolvimento
de novos produtos. Design
é peça primordial na diferenciação
do produto de luxo. De acordo com Kotler, à
medida que a concorrência se intensifica, o
design oferecerá
uma das maneiras mais potentes para diferenciar e
posicionar produtos de uma empresa.
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Denis (1998) comenta que “do ponto de vista antropológico, o design
é uma entre diversas atividades projetuais
que visam a objetivação no seu sentido
estrito, ou seja, dar existência concreta e
autônoma a idéias subjetivas”. Podemos
destacar uma serie de outras funções
ou significados imputados pelo designer
no contexto de uso de um objeto, como a comodidade,
conforto, gosto, prazer, inserção social
e distinção.
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O designer age no caso da atribuição
de significados aos produtos, uma vez que seu trabalho
está ligado às fases de concepção,
produção e distribuição.
Dessa forma o designer
pode atribuir significados aos objetos nas diversas
fases de suas atribuições, que vão
muito além da funcionalidade do produto. Bonfim
(1995), ao falar sobre o artefato como elemento capaz
de portar informações sobre o desenvolvimento
de uma sociedade, afirma que o mesmo “independente
das funções imediatas a que serve, revela
algo sobre o próprio objeto, sobre seus usuários
e sobre o momento social, político e econômico
em que se dá o relacionamento entre eles”.
O objeto carrega concepções e valores
resultantes da leitura do designer
sobre a cultura e a sociedade a que pertence, traduzindo
assim comportamentos, visões de mundo, valores
estéticos e estágios tecnológicos
que nos possibilitam uma leitura da cultura em que
os mesmos estão inseridos.
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Fraccari - Effedue
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A atividade de planejar e conceber objetos de luxo envolve a configuração
de comportamentos e a atribuição de
significados aos mesmos, portanto o produto não
pode ser encarado como um objeto neutro e isolado
de seu contexto de compra e de uso. Esta forma de
entender o design
de produtos modifica o quadro de referência
com relação à responsabilidade
do profissional frente à sociedade e à
sua cultura material. Ao considerar o contexto que
envolve o produto, o designer
tem a possibilidade de abordar em seu projeto a dimensão
sócio-cultural, através do estudo dos
aspectos comportamentais que envolvem as relações
entre o ser humano e o objeto.
De acordo com Neto (2004), um bom produto deve ainda
obedecer aos seguintes requerimentos: conceito (deve
deixar transparecer sua finalidade e razão
de existir), eficiência (qualquer produto deve
responder satisfatoriamente às exigências
de uso), simplicidade (design
é mais inteligência com menos matéria),
e surpresa (um bom produto não pode deixar
ninguém indiferente. Um bom produto é
aquele que as pessoas nunca esquecem, são memoráveis
e eternos).
Os critérios e requerimentos utilizados no
ato de projetar devem incluir também considerações
sobre os valores atribuídos ou percebidos pelos
consumidores, que podem ser:
- Valor intrínseco (constituído pelo
custo do material utilizado).
- Valor de uso (a relação entre o custo
de aquisição e o benefício proporcionado
no uso do produto).
- Valor simbólico (consiste no valor agregado
e na dimensão cultural, que são os elementos
capazes de servirem como forma de identificação,
diferenciação ou afirmação
social).
- Valor afetivo (conformado pela carga emotiva que
o produto carrega e pelas lembranças que ele
é capaz de proporcionar).
Portanto a filosofia das empresas deve ser a utilização
do design a nível
estratégico, empresarial (papel do design,
design na competitividade,
design e lucro),
operacional e administrativo, utilizando-se do design
no processo de desenvolvimento, nos procedimentos,
organização e técnicas de design
(conhecimento das atividades, criatividade, métodos,
comunicação e apresentação).
Acredito que o designer
deva assumir papel importante dentro da empresa, ocupando-se
não somente da resolução de características
estéticas formais, mas interferindo e resolvendo
problemas de caráter tecnológico, buscando,
sobretudo prolongar a vida dos produtos em todos os
aspectos.
Para mais informações sobre o assunto,
estes e outros temas estarão sendo discutidos
com maiores detalhes no livro “O poder do design:
da ostentação à emoção”,
publicado pela Thesaurus Editora, em lançamento
no próximo mês. Até lá!
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Fontes: Allérès, Bonfim, Castarède,
Denis, Douglas, Kotler, Mccracken, Neto, Richers. |
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