Arte Millefiori
Do vidro à cerâmica plástica
Millefiori, em italiano, significa "Mil Flores". As bijuterias modeladas nesta técnica, estão muito em evidência. Ingenuamente, algumas pessoas acreditam tratar-se de minúsculos desenhos, aplicados sobre as peças. Na verdade, é um trabalho bem mais elaborado do que imaginam. Costumo brincar, dizendo que a maneira de trabalhar a Arte Millefiori na cerâmica plástica Fimo, pode ser comparada à maneira de fazer "sushi"...claro que dentro de uma explicação extremamente simplificada, pois a técnica vai muito além disso.
Mas é um jeitinho bem fácil que encontrei, para demonstrar o princípio básico da técnica, onde juntamos bastões de massa colorida, encapamos e depois fatiamos, sendo que, nessas fatias "aparecem" os "desenhos". Os resultados são gratificantes, e a modelagem é divertida e agradável. Embora seja um processo trabalhoso, onde são necessários tempo, delicadeza no toque, uma certa visão tridimensional da imagem a ser trabalhada, e uma pequena dose de paciência.
Seus resultados alegres e bem coloridos conquistaram o Brasil! É bem diferente do que montarmos bijuterias com peças industrializadas ...é muito mais do que isso, e é esse o valor artístico que quero destacar...pedacinhos de massas coloridas, modeladas ao suave toque dos dedos, proporcionando algo mágico...é o prazer lúdico de criar, e que desperta a curiosidade de tentar adivinhar como alguém poderia fazer um "desenho" tão pequenino e delicado, com tamanha perfeição. Existe uma energia forte nessa forma de arte, como em tudo que modelamos com as próprias mãos.
Mas de onde surgiu essa técnica?

É uma técnica milenar, surgiu antes de Cristo, provavelmente na Mesopotâmia, berço das mais ricas civilizações da humanidade, situada entre o Rio Tigre e Eufrates. Juntavam-se pequenos bastões de vidros coloridos, que depois, cortados transversalmente, revelavam os delicadíssimos "mosaicos", hoje também conhecidos como "vidro murano".
Mas porque "
vidro murano"?
A Arte Millefiori foi muito utilizada no antigo Egito, em objetos de adorno. Mas, posteriormente, desapareceu por muitos séculos, sendo então redescoberta na Itália, somente no século 15. Com a desculpa de que os fornos seriam causadores de incêndios, os vidreiros italianos foram isolados na Ilha de Murano. Lá esses artistas do vidro eram proibidos de deixarem a ilha, sob risco de morte, para que o segredo dessa preciosa técnica não fosse revelado ao mundo. Mas sair de Murano, para muitos operários, também significava a independência e o reconhecimento de sua arte na Europa, tornando-se mestres.
Foi assim que essa arte se espalhou.
Durante o século 19, a arte Millefiori viveu uma grande momento na Europa. Mais tarde, durante a segunda guerra mundial, quase desapareceu, ressurgindo com grande força após a mesma, somente por esforço e mérito dos habilidosos artistas.
Hoje, colecionadores pagam verdadeiras fortunas por objetos em Millefiori, principalmente os famosos pesos de papel, muito bem cotados em leilões.
A técnica foi adaptada à cerâmica plástica, mas o princípio é o mesmo...trabalha-se juntando os bastões coloridos, depois o corte transversal, e no caso do Fimo, a queima em forno caseiro.
Hoje em todo o mundo encontramos peças em Millefiori confeccionadas com essa massa alemã, e não apenas na bijuteria....pois existe uma variedade enorme na aplicação desta técnica. Mas é justamente na bijuteria, muitas vezes tão desprovidas de arte, onde encontramos uma linda maneira de aplicarmos esta surpreendente técnica e valorizarmos em muito o nosso trabalho.

 

Por Beatriz Cominatto - Fimo Designer
Beatriz Cominatto é nossa consultora para esta coluna:

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