FILIGRANA DO SERRADO
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Tânia
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O filigrana
é uma técnica conhecida há séculos
e ainda hoje é usada para dar um efeito diferenciado na
jóia. Consiste numa obra da ourivesaria formada de fios
de ouro ou de prata,
delicadamente entrelaçados e soldados. Só que muito
antes de um ourives trançar estes fios a natureza já
o fazia em suas folhas. No cerrado
as folhas são rígidas e de consistência dura,
assim, podemos observar este trabalho de ourivesaria em todos
os seus detalhes, inclusive banhar em ouro e eternizar esta obra
artística digna do mais competente ourives, a natureza.

Folha
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Coração
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Crucifixo
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Quadrado com detalhe em Rodio
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A
idéia surgiu em julho de 2000 com a vontade de valorizar
o presente que a natureza, especialmente o cerrado, nos dá
a todo momento, o seu design único para compor jóias
folheadas.
Começamos folheando em 18 quilates as folhas
"moeda" esqueletizadas,
cuja beleza lembra os filigranas
portugueses. Foi um ano fazendo
testes com equipamentos e produtos diversos para manter a textura,
sem alterar o desenho original da natureza.

Amendoim Bravo
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Carrapicho
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Pipoca
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Castanha de Caju
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Depois
partimos para a pipoca
que, banhada em ouro,
lembra uma pepita.
A primeira pessoa a acreditar no nosso produto foi Eliana
Carneiro de Sá, na
ocasião gerente da Coopergemas,
que conhecemos numa festa de aniversário de um amigo em
comum, em Fevereiro de 2001. Ela comprou toda a nossa produção:
sete peças, apenas pingentes.
Numa das visitas que fizemos à Coopergemas conheci a Dona
Josefa Lima,
artesã que trabalha com frivolitê.
Ela nos convidou para participar de uma feira itinerante na Asa
Sul. De cinqüenta peças, vendemos vinte e cinco.
A Simone, proprietária da Scrivimi,
loja de bijuterias e presentes na 110 Norte, se referiu as nossas
peças como filigrana
do cerrado. Gostamos da idéia
e adotamos como marca - Filigrana
do Cerrado.
Em abril de 2001, fomos à Secretaria do Trabalho para atualizar
nossas carteiras de artesãos, inserindo esta nova atividade.
No mesmo momento nos convidaram para participar da Feira
BSB Mix. Fomos com 150 peças
e vendemos 75. A partir daí as portas foram se abrindo
e surgiram convites para participar de outras feiras, tais como:
Pontão Fest, Design art, Mercado Bloom, Feira da Lua, Feira
do Sol e da Lua, Projeto Mundo Arte, Capital Mix e outras promovidas
pela Secretaria do Trabalho. Mais pessoas conheceram nosso produto
e surgiram algumas reportagens.
Em junho de 2001, sentimos a necessidade de melhorar a qualidade
das peças e otimizar a produção. Nós
tínhamos um tanque de 2 litros para o banho de ouro e pretendíamos
aumentar para 10 litros. Novamente fomos à Secretaria de
Trabalho e eles viabilizaram um financiamento do equipamento através
do Creditrabalho. Além do financiamento, a Secretaria ,
junto ao SEBRAE
ministram cursos de gerenciamento de microcrédito para
os financiados, onde somos beneficiados não só com
o dinheiro, mas também com informações importantes
para o sucesso administrativo de nosso empreendimento.
Na ânsia de descobrirmos novas possibilidades, começamos
a experimentar vários vegetais tais como: canela-de-ema,
chapéu de mandarim,
carrapicho,
semente de eucalipto,
amendoim bravo,
sabonete, cinamomo,
pistache,
nozes,
amêndoa,
papoulinha,
pente de macaco, andiroba,
pimenta,
amendoim,
estrela do cerrado,
castanha de caju,
copaíba,
chapéu de Napoleão,
castanha do Pará,
caroço de pêssego,
mutamba,
fava,
tingui,
outras sementes aladas, e outros que surgem naturalmente. Enfim,
nosso objetivo é surpreender com um produto de qualidade,
estilo, designer e, especialmente, originalidade.
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Em
outubro de 2001 foi necessário aumentar mais um pouco a
capacidade do banho e com recursos próprios aumentamos
para 15 litros.
As feiras se tornaram uma rotina de fim de semana. E a Secretaria
do Trabalho viabilizou reportagens em veículos de comunicação
de grande alcance que renderam uma excelente propaganda do nosso
produto.
Em Janeiro de 2002 saímos da varanda do nosso apartamento,
onde produzíamos as peças. Alugamos duas salas comerciais
e aumentamos nossos banhos de folheação para 45
litros e o de cobre para 100 litros. Este incremento na produção
aumentou também o volume de metais pesados (cobre e
níquel) e cianeto livre na água. Uma
das lojas foi utilizada para instalar uma micro estação
de tratamento de água para a neutralização
destes poluentes antes de ser despejada no esgoto. Novamente contamos
com o Creditrabalho para esta ampliação.
Já estamos nos profissionalizando, aumentamos a produção,
a clientela, a qualidade do produto e nosso próximo passo
é exportar. Já estamos em contato com uma pessoa
nos EUA que nos representará nesse país.
Enfim, tudo se torna possível através da curiosidade,
paciência, pesquisa, conhecimento de eletroquímica,
além de apoios diversos como o dos clientes e amantes da
natureza, da Electrochemical e, sobretudo, da Secretaria
do Trabalho através da GEAC- Gerência de Fomento
ao Artesanato - DF e o Creditrabalho.