ENTREVISTA DO MÊS

Luiz Antônio Gomes da Silveira

RT Gem Lab - Gemologia e Engenharia Mineral.
Gemólogo prestador de consultoria à Secretaria da Receita Federal (2000 a 2003) e à Secretaria Estadual da Fazenda de Minas Gerais (2002).
Gemólogo credenciado pela Secretaria da Receita Federal (1992 a 1999).
Instrutor de Cursos de Gemologia Básica p/ equipe de alfândega da Secretaria da Receita Federal (2001).
RT Laboratório Gemológico da Ajomig/Sindijóias & Gemas (1990 a 1999).
Engenheiro de Minas (UFMG/1985)
Pós-graduado em Gemologia por:
· Universidade de Barcelona (1988).
· Associação e Laboratório de Ensaios de Gemas da Grã-Bretanha (Gemmological Association and Gem Testing Laboratory of Great Britain) (1988).
· Associação Alemã de Gemologia FGG (Deutschen Gemmologishen Gesellschaft) (1989).

Classificação e Avaliação de Diamantes Lapidados

Durante séculos, houve apenas um critério importante para a determinação da qualidade dos diamantes: o peso. No entanto, a medida que a ciência e a tecnologia se aprimoravam, a arte da graduação de diamantes foi incorporando novos critérios, de modo que, tal como a conhecemos atualmente, é um evento relativamente recente na história desta fabulosa gema.

Hoje em dia, os principais fatores técnicos que determinam a qualidade e, conseqüentemente, o valor monetário de um diamante são a pureza, a cor, a lapidação e o peso. Estes 4 parâmetros, igualmente importantes, deram origem aos diversos sistemas de graduação que, embora apresentem ligeiras diferenças entre si, possibilitaram que os procedimentos, a terminologia e as normas de classificação se tornassem relativamente padronizados. Apesar disso, a graduação de diamantes segue sendo uma técnica preponderantemente subjetiva e que, portanto, requer prática constante, se se pretende alcançar um elevado grau de proficiência e consistência.

Dentre os sistemas de graduação de diamantes lapidados, o mais amplamente aceito no mercado internacional foi desenvolvido pelo GIA(Gemological Institute of America) e é conhecido como 4 C s (Clarity/Pureza, Color/Cor, Cut/Lapidação e Carat/Quilate).

A classificação de pureza de um diamante lapidado é realizada por um profissional competente, com equipamento gemológico adequado, considerando o número, tamanho, localização, cor e natureza de suas inclusões, sob as condições determinadas pela norma técnica especificada.

A cor da maior parte dos diamantes de qualidade gemológica varia de incolor a amarela e sua classificação indica a presença ou, mais frequentemente, a ausência de cor. Esta é efetuada mediante comparação com um jogo de pedras-padrão obtidos por equivalência direta de padrões originais elaborados por umas poucas e conceituadas instituições, sob iluminação artificial padronizada. Os diamantes podem ocorrer em praticamente todas as cores, sendo que aqueles de matizes diferentes de incolor, amarelo, marrom e cinza claros, denominadas cores de fantasia (fancy), vêm ganhando importância e valor comercial e possuem escalas de graduação próprias.

A unidade de peso utilizada para o diamante, seja bruto ou lapidado, é o quilate, de abreviatura ct, que, adaptado ao sistema métrico desde o início do último século, corresponde ao quinto do grama (0,2g) e deve ser expresso com duas decimais. O preço unitário por quilate dos diamantes não é uniforme para uma determinada qualidade, mas cresce exponencialmente a medida que aumenta o tamanho do exemplar, de modo que a raridade representada por diamantes maiores exerce influência na formação do preço.

Com o advento da manufatura do diamante, a lapidação passou a ser o quarto critério de classificação sendo, dentre os 4 C s, o que mais profundamente influi no aspecto estético da gema. Os fatores a serem julgados e/ou mensurados quanto à lapidação são as proporções, a simetria (grau de exatidão da forma e colocação das facetas) e o polimento (condição da superfície do diamante).

Efetuados os procedimentos de classificação e de posse de guias de cotação de preços de utilização consagrada, tais como o Rapaport Diamond Report, de abrangência internacional, e o Boletim Referencial de Preços de Diamantes e Gemas de Cor, editado no país pelo convênio DNPM/IBGM(*), o perito avaliador está apto a estabelecer o valor do diamante examinado. Esses guias de preços devem ser utilizados com bastante critério, uma vez que fatores subjetivos também exercem influência significativa sobre o preço dos diamantes.

Ao realizar a avaliação, o perito considera o segmento de mercado mais apropriado para a finalidade pretendida. Os objetivos das avaliações de diamantes são os mais diversos, sendo mais frequentes as destinadas a levantamento de patrimônio, espólios, inventários, heranças, testamentos, doações, litígios judiciais, recolhimento de taxas e impostos, investimentos, seguros, revendas, reposições, liquidações, penhores e leilões.

Os guias referenciais de preços usualmente apresentam cotações para diamantes lapidados em estilo brilhante e forma redonda, com pesos até 6 ct. A avaliação de exemplares com outros tipos de lapidação ou com pesos acima deste limite requer a aplicação de fatores percentuais de correção em relação aos valores tabelados. Da mesma forma, para a correta atribuição de valor, costuma-se aplicar fatores de correção aos preços dos diamantes lapidados que possuam graus de cor menos comerciais (abaixo do grau M da escala GIA) ou que exibam fluorescência média a forte.


* DNPM: Departamento Nacional de Produção Mineral
IBGM: Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos

Por Luiz Antônio Gomes da Silveira
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E-mail: gem@gold.com.br

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