A Região Nordeste do Brasil desponta como cenário de ricas expressões do artesanato nacional e a Bahia em especial tem grande tradição cultural e turística.
A Bahia é berço de diversos seguimentos artísticos e tem várias peculiaridades no seu artesanato. Alguns objetos impressionam os visitantes, com temas que carregam as mais inusitadas características deste estado.

Referenciando desde as belezas naturais até as crenças religiosas, os artesãos não esquecem nenhum detalhe.
Em algumas cidades, dezenas de barracas, armadas como uma grande feira, oferecem uma enorme variedade de “lembranças”.
Com as bênçãos do Senhor do Bonfim o cultuado sincretismo baiano oferece ao artista popular, inúmeros temas para suas obras. Nas suas mãos, a massa de modelar ganha forma da tradicional baiana, essa mulher mágica, de vestido branco rendado, fartamente rodado, que encontramos pelas praças e esquina oferecendo saborosos acarajés ou perfumando as escadarias da Igreja do Bonfim em dia de lavagem.

Quando a matéria-prima é o barro, as criações dividem espaço entre o sagrado e o utilitário. Assim nascem orixás majestosos, reverenciados em todos os cantos do mundo, e também vasos, caçarolas, panelas e fogareiros, como também as cestarias.
A musicalidade natural do baiano está expressa num ícone: o berimbau, instrumento de origem africana, incorporado ao rito da capoeira e homenageado nas miniaturas feitas de pequenas cabaças.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o artesanato tem exercido papel preponderante na ocupação e geração de renda para mais de 8,5 milhões de pessoas no Brasil ( 2002 ). Por sua vez, estudo elaborado pelo Banco do Nordeste aponta a existência de aproximadamente 3,3 milhões de pessoas inseridas na atividade na Região Nordeste.
O numero de artesãos baianos constitui um contingente significativo de trabalhadores do mercado informal. Nesta perspectiva, estimular o desenvolvimento do artesanato baiano significa abrir possibilidades de atenuação das desigualdades sociais verificadas na região, além de promover a preservação de valores da cultura popular local.
A fragilidade econômico do setor artesanal, causada pela falta de estrutura em que este se apoia, somada às formas simplificadas de abordagem das manifestações de cunho popular, determinam visões múltiplas do artesanato, evidenciadas nas inúmeras definições existentes para o termo:
Artesanato: É a forma de ocupação ou trabalho, geradora de bens matérias, produzidos por meios técnicos, geralmente tradicionais, com a utilização de instrumentos rudimentares.
Artesanato: (É) o futuro gerado da cultura popular, a feitura de objetos relacionados à temática folclórica dos paises, com emprego de técnicas primitivas de fabricação.
Artesanato: Resultado de uma habilidade bem treinada e de uma sabedoria própria do metiê. Constitui – se expressão espontânea de criatividade de um povo.
.Artesanato: é a atividade predominantemente manual de produção de bens, exercida em ambiente domestico ou em pequenas oficinas, postos de trabalho ou centros associativos, no qual se admite a utilização de maquinas ou ferramentas, desde que não dispensem a criatividade ou a habilidade individual e de que o agente produtor participe, diretamente, de todas ou quase todas as etapas da elaboração do produto.
Cada uma dessas definições apresenta uma visão conceitual diferente, privilegiando determinados aspectos componentes da atividade artesanal ou mesmo excluindo outros tantos. Confunde-se, por exemplo, a forma de trabalho do artesão, artesanal, com o produto deste trabalho, o artesanato; correlaciona-se a qualidade final dos produtos acabados, geralmente insatisfatória, mas que depende basicamente da habilidade pessoal do artesão, com o fato de ser uma atividade manual; classificam-se como rudimentares, técnicas extremamente complexas, como as dos diversos tipos de bordados, apenas por não utilizarem maquinas ou equipamentos industriais, e assim por diante.
Por serem todos trabalhos executados manualmente, é particularmente importante para este diagnostico a diferenciação de artesanato- que agrega na sua formulação teórica valores da cultura popular repassados oralmente e por aprendizado direto – dos trabalhos manuais, levados a efeito sem o sentido primeiro de pratica cultural tradicional, quase sempre como passa – tempo.
Devem ser excluídos do conceito de artesanato, os trabalhos manuais que não possuam uma dimensão cultural popular, historicamente transmitida por tradição oral ou aprendizado direto dos chamados mestres – artesãos.
Explica-se esta necessidade de diferenciação pelo fato de o diagnostico do artesanato baiano ter como intenção subjacente dotá-lo de expressão econômica relevante no quadro de miséria e desemprego da região. Para isso, faz-se necessário delimitar o campo de ação dos projetos e programas de apoio especifico ao artesanato, excluindo-se atividades estranhas, mesmo que aproximadas.

Existe também:

Artesanato Folclórico:é aquele confeccionado pelo homem, tem função utilitária e obedece a formas tradicionais, aprendidas por informações orais.
Artesanato Semi- erudito: são trabalhos feitos por pessoas de classe media, que obtiveram (ou não) aprendizado em escola especializada (melhor seria chamar de trabalhos manuais.)*


Os principais problemas identificados no estado foram:

· Dificuldades na aquisição de matéria-prima (custo, qualidade e quantidade);

· Equipamentos obsoletos para manufatura dos produtos;

· Na preservação de fontes naturais de matéria-prima de algumas tipologias, a exemplo das cestarias e trançados;

· Pequena produção dos artesãos, baixo controle de qualidade e irregularidade da oferta dos produtos, resultando em dificuldades para atender à demanda do mercado;

· Necessidade de organização interna de associações e cooperativas.

· Informalidade excessiva.

Analisando as várias definições de artesanato apresentadas, opto pela definição de artesanato folclórico ou ainda artesanato tradicional. Em ambos os casos, para este trabalho especifico , preserva- se o caráter de atividade identificada com valores culturais tradicionais voltada para geração de renda da região.

SORRIA, VOCÊ ESTÁ NA BAHIA !

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