Nossas escolhas hoje são emocionais. Para comprovar isso, inicio este artigo com uma pergunta básica: por exemplo, se sua casa pegasse fogo, o que você tentaria salvar de qualquer jeito? O que teria mais valor?

Ao tentar responder esta pergunta você vai se deparar com objetos de valor sentimental e emocional, como a escova de madrepérola que seu filho usou quando era pequeno, a aliança de casamento da sua avó, o anel de brilhantes que ganhou, entre outros...

Observamos que na pós-modernidade, os homens estão adotando um ponto de vista mais emotivo em relação ao mundo. Eles estariam dando lugar ao prazer e à emoção, resgatando uma sensibilidade diferente entre as novas gerações. Deslocamos sonhos e expectativas para os objetos e a eles atribuímos valores simbólicos e emocionais.

Para Norman (2004), quem comanda nossas escolhas são as emoções. Elas estão em tudo que optamos. Servem, inclusive, de guia para o nosso comportamento. "É por isso que escolhemos sempre aquilo que nos parece mais bonito, e não coisas que são apenas uma utilidade pura e simples. Até porque as coisas bonitas, por causarem uma boa sensação, também nos dão a impressão de funcionarem melhor” (Norman, 2004).

Damásio (1995) endossa essa idéia. Ele afirma que, diferentemente do que dizia o filósofo Descartes (que imortalizou a frase "penso, logo existo"), a tomada de decisões do ser humano está diretamente ligada à capacidade de sentir. A explicação para esse fenômeno é simples: quando nos deparamos com algo que julgamos atraente, isso nos causa uma sensação de bem-estar. A emoção positiva de um belo objeto é imediatamente lida por nosso cérebro como vinda de uma coisa boa, funcional.



Dessa forma, emoções e sentimentos desempenham papel preponderante na tomada de decisões, favorecendo – ainda que, na maioria das vezes, de modo inconsciente – a obtenção de resultados favoráveis, mesmo diante de algumas daquelas decisões que nos parecem, à primeira vista, estritamente racionais.

Assim, a semiologia aplicada a objetos reconhece que as pessoas não respondem apenas às qualidades físicas dos produtos, mas principalmente, ao que os mesmos significam para elas. Tratar o produto como signo, comunicando e expressando idéias, é fator de importância para o designer, pois garante um conhecimento fundamental na concepção da cultura material. Este é o novo caminho do design!!!

E... falando em emoção...

Nos últimos anos me dediquei a escrever artigos para este portal, um espaço de diálogo, integração e troca de experiências e emoções. De início fui responsável pela coluna “Jóias” e atualmente pela coluna “Marketing”, ambas não por mim geradas, mas como “filhas” queridas foram tratadas.

Infelizmente, a partir deste mês precisarei abrir mão deste ciclo, para conseguir terminar outro, não mais importante - já que considero a minha passagem pelo Portal como um verdadeiro doutorado - mas por ser desafiador. Precisarei me dedicar plenamente ao meu Doutorado para que eu o faça com tanta dedicação quanto me dediquei a estes artigos.

Não é de hoje que me preparo para esta despedida, mas não poderia concluí-la se não fosse agradecendo a todos os envolvidos, pelo convívio, respeito e profissionalismo. Também peço desculpas pelas minhas falhas durante este período. Não consigo avaliar corretamente o valor das minhas realizações, mas tenho consciência de como as fiz, e de que nesse processo respeitei-me, e respeitei os outros.

Quatro anos foram dedicados a este portal, e sempre me lembrarei desta fase como um processo de muito aprendizado, no qual pude participar da vida de pessoas e elas da minha.

A cada ano que passa, deixamos registrado mais um capítulo de nossas vidas. E assim aconteceu a cada artigo que escrevi. Foram 38 artigos no decorrer de 4 anos! É como se fosse um livro, e ao chegar no último capítulo, ter a satisfação de que valeu a pena lê-lo. E aqui, iniciamos outro capítulo...

Hoje, com muito aperto no coração e emoção, entrego esta coluna, mais uma “filha”, nas mãos de alguém que com certeza dará continuidade ao meu trabalho de forma competente, certamente diferente, e não por isso pior.

Sinceramente agradecida, na expectativa de um dia voltar.
Até breve!!!


Fonte: livro “O poder do design: da ostentação à emoção”, publicado pela Thesaurus Editora.

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